CLASSIFICAÇÕES EM CONCURSOS LITERÁRIOS

PREMIAÇÕES LITERÁRIAS

2007 - 1ª colocada no Concurso de poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras;

2010 - Menção Honrosa no Concurso Nacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2012 - 2ª classificada no Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2014 – Menção honrosa Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2015 – Menção honrosa no V Concurso Nacional de Contos cidade de Lins;

2015 - PRIMEIRA CLASSIFICADA no 26º Concurso Nacional de Contos Paulo Leminski, Toledo-PR;

2016 – 2ª classificada no Concurso Nacional de contos Cidade de Araçatuba.

2016 - Classificada no X CLIPP - concurso literário de Presidente Prudente Ruth Campos, categoria poesia.

2016 - 3ª classificada na AFEMIL- Concurso Nacional de crônicas da Academia Feminina Mineira de Letras.

2012 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - 13ª classifica no TOP 35 na 4ª semana de abril de microconto Escambau.

2017 - Classificada no 7º Concurso de microconto de humor de Piracicaba.


domingo, 30 de novembro de 2014

E AI, PESSOA!

Ao poeta, pelos 79 anos de seu falecimento


E AÍ, PESSOA!

E ai, Pessoa!
Foste, mas deixaste tantas marcas em mim.
E ai, Pessoa!
Nas pessoas que és procuro-me,
Encontro-te esmiuçado,
Imensamente grande, esmiuçado.
Por estes homens que registras
Escreveste histórias,
Compuseste poemas...
Efemérides...
Foste todos os teus em um
E um teu em todos.
Humanista,
Modernamente existencialista,
Uma telha, um tijolo:
Terra e água, fogo e ar.
És o quinto elemento em única molécula
De Inconjuntos nas infinitas sinestesias.
E ai, Pessoa!
Criaste personas, heteros e semi-heteronimos,
Com psicografias que lhes convém
Simbolista, futurista,
Foste todos os sonhos do mundo, o nada...
E aí, Pessoa!
Mestre sem formação em linha reta,
Doutor com pé na monarquia,
Foste 'tantas vezes reles,
Tantas vezes porco,
Tantas vezes vil'.
E aí, Pessoa!
Pastor Amoroso desta língua que nos roça,
Inventaste borboleta na janela
Por saberes justa a natureza.
E ai, Pessoa!
Sobrevivente de ti mesmo
Por não saberes quantas almas tens
Fingiste tão completamente que
Arrebanhaste-me, Guardador,
Com as tuas cartas de amor ridículas,
Para as tuas construções,
que deixaste, como legado,
À arte de existir.

E aí, Pessoa!?
Por Presságio, calo-me, pois,
Sinto que é melhor calar-me.
Posso revelar-me pessoas
Nas minhas e nas tuas.
Por enquanto, necessito ser uma,
Lendo a minha solidão no que fostes, Pessoas !


-Rita Lavoyer

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

De onde brota o amor?


O amor expressado do fundo do coração não tem crédito, por dar-lhe cabo uma brisa qualquer.

O amor dito do coração é fantasioso, sustentado por um lírico-metafórico que o protege num castelo de areia cercado de figuras  que servem às funções emotivamente tagarelas.

Quando ouvires de mim: -“ Amo-te do fundo do meu coração”,  corra. Estou, pois, absorvendo-te para  futuro descarte. Mas...

Quando eu te disser: - “Amo-te do fundo do meu Sistema Límbico”,  acredite!  

Da parte que tocas, receberás o amor  mais verdadeiramente meu - o único que é teu, enquanto existirem nutrientes que fazem funcionar o eixo do Sistema.  
Rita Lavoyer

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

O BEIJO

 
 
 
Caro(a)
Estou participando de um concurso e para que o meu texto seja selecionado e faça parte da coletânea, preciso de votos e compartilhamento do texto e comentário na página da editora .
Podendo, acesse o endereço e procure o meu texto “O BEIJO”. comente e compartilhe.
Acesso por este endereço: http://paixoesclandestinas.com/  no final do texto há um logo do facebook, é só clicar nele para votar. Obrigada Rita Lavoyer
 
 
 
 
 
 
 



 

Os olhares, infantis. Desejos atrás da porta em disfarces evidentes. Recatados. Assim um ao outro se viam. Não houve como. Nos olhares se avistaram. Ali mesmo se acharam naqule esconde-esconde, mas não se encontravam no termômetro do contratempo.

Foi amor-amor. Retraídos neste sentimento, aqueles adolescentes comiam-se com os olhares em cada soturna despedida. Cada voz sempre abafada no desejo de um toque de pele com pele.

_ Quando? Assim o silêncio foi rompido.

_ Talvez... Dessa forma o encontro foi selado.


Riscaram a amarelinha, emudeceram.
 Um dedo, empurrado pela mão, tocou o do outro. O silêncio morou ali quando uma boca procurou os lábios daquele seu, e não se contiveram no aperto de ternura, nas bocas unidas encontraram o carinho de uma vida.

Quanto mais se aprofundavam no ato daquele beijo, um ao outro se encontrava aumentando-lhes o desejo. Os braços fortes, as mãos carinhosas passeavam-lhe nas costas. Os lábios se desgrudaram descendo, os dele, no pescoço dela. Enquanto ela gemia, ele a mordiscava e o beijo não parava de praticar a sua ação.

Num ímpeto, os jovens se  contiveram. Se desgrudaram por um instante. Foi bastante esse tempo para deixá-la inteira louca. Novamente ela buscou conforto naquela boca; no que ele a afastou deixando-a a deriva. Ela não entendeu interromper aquele culto. Aceitou tão logo ele a deitou no chão.

Quanto mais um dava ao outro, muito mais os dois queriam. A verdade de um era aquilo que o outro consumia. Era tudo tão composto naquela dupla anatomia, quanto mais um se entregava, muito mais o outro sugava.

E foram os sentidos em ambos  explorados, partiram do abstrato para atos mais concretos. Tudo fora revelado pelo canal daqueles poros e os corpos já eram mapas para exploração do tal dueto.

Escavou com sua língua uma gruta para entrar, ela era uma sereia e ele o seu mar. E de tanto que lambeu o sal ficou mais doce, pois se assim não fosse não seria amor.

Muitos beijos surgiam descendo da boca ao colo. Já era demais a ele suportar o fecho ecler.

 Naquele instante ele foi homem e a fez sua mulher.
 Ele a amou e amou enquanto ela o beijava.
 Pedia ao cavalheiro que em sua anca cavalgasse e ele, naquela luta, deleitando-se na garupa, dentro dela se ajeitou.

No enlace chave daquelas pernas, entregou-se inteiramente àqueles gestos tão suaves.
Aproveitando aquele ensejo de prazeres e afins, trancou-se inteiro naquele avesso de cetim.

Lá pelas tantas, de tantos disfarces, revelou a sua face e ao lado dela descansou.

Viu-a sem o véu, tomou o que era seu: ela- o seu troféu e ajoelhado, sorrindo, ele orou.

Alcançou o altar e, sobre ele, o Homem  novamente a amamentou.


Rita Lavoyer


quarta-feira, 12 de novembro de 2014

madrugada


Foi hoje cedo. Era de manhã, bem manhazinha mesmo. De um tempo pequeno e curto , tipo rápido, sem parar e eu fui à janela. Era a janela e eu. Lá fora, de uma distância curta, uma guerra se passara certamente sem erro,  acertando em cheio o som que não se fazia mais ouvir. De repente ouvi o que outrora ouvia, ouvi um pingo, uma gota, um fio, um jorrar, um rebentamento. O escuro do chão brilhou sob o escuro do céu que chorava uma chuva , a que choramos por ela. Alegrei-me, sorri.  A chuva, na  sua passagem rápida, levou meu sorriso, nem deu tempo de rir. Saí da janela e fui cuidar do fervo que já dura longo tempo. De repente o despertador tocou tonto. Trabalhou atrasado, trabalhei primeiro que ele.  Ah, se eu pudesse voltar pra cama e, pelo menos, sonhar com a chuva... Se chovesse um pouco mais sairia para andar nela. 
Rita Lavoyer

terça-feira, 11 de novembro de 2014

NÓS E ELES

"Versos íntimos", de Augusto dos Anjos, deu-me inspiração para este "Nós e eles" - Chegar à grandeza do poeta dos Anjos é difícil. Enquanto isso, brinco com as palavras, mas confesso que depois que terminei e li a produção me causou um mal estar danado. Mas não posso deletar, vai ficar aqui, porque foi o que consegui fazer. Cruzes!

Nós e eles - Rita Lavoyer


Não esperes por mim no páramo ...
Por lá não pretendo chegar, jamais!
Ainda que me descarne a matéria, enfim...
Não aguardo o amanhã, não revivo o depois!
Não penses ser grande o meu amor.
Ele é vão, vago e de maldade.
É amor que ama o ódio
Por saber o que é amar de verdade.
Um dia te amei na tua presença,
Na ausência apunhalavas-me sem dó.
Reinventas tuas mentiras, fazes dela suporte
De onde cairás, suplicando a chegada da morte.
Não! Não me basta isto somente.
Será tua queda o começo do fim.
Quando eu te vir lambendo o barro
Dar-te-ei como beijo meu cuspe, meu escarro.
Não esperes por mim lá no páramo
Está aqui no solo a nossa sobrevida
Espumando sangue e carniça
Soando rangeres e urros.
As feridas fétidas que purgamos
Porão mesas aos vermes famintos.
Servidos estaremos iguais no valor:
Iguarias às espécies superiores.
Que delícia somos nós!
Incomensuravelmente prazer para eles!


Nós e eles- Rita Lavoyer.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

VIDAS SECAS


 

                 A água é uma substância química cujas moléculas são formadas por dois átomos de hidrogênio e um de oxigênio.  Cobre grande parte da superfície da Terra e responde  pela existência da vida no Planeta.

Poucas pessoas se preocuparam em cuidá-la, preservando-a.  O Planeta está superaquecido, atravessando sérios problemas ambientais  e, no Brasil,  com o desmatamento e queimadas, refletindo na biodiversidade;  exploração incorreta dos solos, decorrente das técnicas de produção; poluição do ar nos grandes centros urbanos; contaminação dos corpos hídricos por esgotos sanitários e  escassez da água pelo mau uso e gerenciamento das bacias hidrográficas,   o quadro não seria menos grave.

A exemplo  disso, sofrendo a maior seca em 84 anos,  temos o estado de São Paulo que enfrenta  a pior crise hídrica da história do país, obrigando o governo a lançar campanha para economizar água,  premiando os cidadãos por tão grande feito: economizar água – como sendo essa atitude  questão de mérito e não de responsabilidade.   Isso  tem feito os brasileiros, principalmente do berço esplêndido do  sudeste,  transformarem-se em Severinos, experimentando suas sedes, consequência da estiagem de 2014.

E por causa da sede,  paulistanos manifestaram-se em passeatas, ameaças, expõem seus banhos de caneca e até roubo de água  tornou-se notícias.

 Hoje, o cidadão, com um orçamento melhor, tem dinheiro para comprar uma garrafa, um galão, uma caixa d’água, um caminhão pipa e enchê-los com o liquido sagrado, mas... cadê a água? Onde comprá-la?

Se dinheiro produzisse chuva, certamente muitos empresários  encheriam seus jatinhos  de cédulas e  resolveriam o problema com São Pedro. Porém... condenados a Severinos e a Fabianos, a população brasileira engole o choro a seco, porque saliva e lágrima tem preço de vida no organismo brasileiro.

Não chore pela  água que falta, contudo – sinta-se uma baleia,  agradeça por ela, ainda, compor setenta por cento do seu corpo.

Chorar essa seca da vida não calará o colapso do abastecimento pelo qual o Estado de São Paulo padece. Tomara, tenhamos, os paulistanos, a mesma resistência que os nordestinos desenvolvem para defender suas vidas secas e que, enquanto Severinos, Fabianos,  aprendamos a lição que a água tem nos dado.  

Rita Lavoyer

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Parabéns, inventor!


Acho que quem inventou o "etc" sabia que não haveria papel suficiente para listarmos  os exemplos de corrupção no Brasil e etc, etc, etc...


domingo, 2 de novembro de 2014

Ideais


*_*_*_*_*_*_*_*_*_*_*_*_*
 
Vivem para matar aqueles que, jazendo sem ideais, perseguem cidadãos que ameaçam suas conveniências.
 
 Rita Lavoyer - Araçatuba
 
*_*_*_*_*_*_*_*_*_*_*_*_*_*_

Ilusão

*_*_*_*_*_*_*_*_*_*_*_*_*_*_*
 
Aquele que não adentrou o mundo da ilusão, experimentando-o,
não sabe, ainda, qual realidade lhe convém.
 
Rita Lavoyer - Araçatuba
 
*_*_*_*_*_*_*_*_*_*_*_*__*_*_*

Amor eterno

*_*_*_*_*_*_*_*_*_*_*_*
 
Quer amor eterno? Ame-se! 
 
Rita Lavoyer- Araçatuba
 
*_*_*_*_*_*_*_*_*_*_*_*

Panelinha

_*_*_*_*_*_*_*_*_*_*_*_
 
Onde impera a panelinha, os pratos preparados apresentam-se indigestos e os cozinheiros desacreditados.
 Rita Lavoyer - Araçatuba
 
_*_*_*_*_*_*_*_*_*_*__*_*_*_*_

sábado, 1 de novembro de 2014

O ESQUELETO E A CAVEIRA


 NESTE DIA DE FINADOS, DEDICO ESTE TEXTO A TODOS QUE PARTIRÃO UM DIA!

Perambulava aquela cabeça cadavérica pelos corredores do sem fim até que, pondo a cabeça no lugar, estacionou-se à beira do caminho a espera de Armando . Foram vários e vários, talvez séculos, aguardando a passagem daquele por quem ela, um dia, perdera a cabeça.
Ficou ali na certeza de que um dia ele, Armando, certamente passaria, como muitos passaram e passarão, naquela passagem certa e necessária.
Observava sem piscar aquela fila de esqueletos que subiam em mão única. Iam, mas não voltavam. Esperou por ele com a cabeça, digo, caveira, encostada nas ossadas que se desengonçaram de fraqueza antes de alcançarem um refúgio, sei lá onde, porque ela não sabia o que acontecia depois daquele lugar, nunca antes tentou atravessar o próximo umbral.
Lá vinha ele, o Armando.  Ufa! Chegou o dia dele. Já caminhava pelo corredor da eternidade há, mais ou menos, meia eternidade quando, de repente, encontrou-se com uma caveira. Era ela, Lélia, que há..., deixa pra lá, havia perdido a cabeça.
– Armando! – gritou cheia de entusiasmo aquele resto de ossos, entre outros restos de ossos. – Aqui embaixo, encostada nas ossadas. Sou  eu, a Lélia!
Os 2 buracos enormes no crânio do Armando procuravam aquela voz que saía do buraco do crânio de Lélia.  Não demorou muito e ele a encontrou.

– Lélia? É você? Nossa! Você não mudou nada, continua com a mesma feição! Mas... cadê o seu esqueleto?  O que houve com o restante da sua ossada?
– Armando, meu querido! Não se lembra de que eu perdi a cabeça por sua causa!? Então... estou aqui, do mesmo jeito de quando eu a perdi. Perambulei procurando um corpo para encaixar a minha cabeça, mas quando cai em mim- confesso: doeu pra caramba- resolvi ser apenas caveira. Pois o esperaria, Armando, da mesma forma com que o deixei quando parti. Afinal de contas, sempre lhe fui honesta, jamais entregaria um corpo a você que não fosse o meu.
– Uai,Lélia! De onde tirou essa ideia de que eu quereria o seu esqueleto?
 – Claro que quer! Sempre se fez de durão, Armando, eu sabia, mas agora que eu o encontro aqui, nesta eternidade, onde eu apeei para encontrá-lo, tudo se concretizará.
– Lélia, você nunca foi boa da cabeça, mas agora, pela falta do cérebro, parece que piorou mesmo. Há quanto tempo não se olha no espelho? Tá acabada, hein!?
– Mas você acabou de dizer que eu não mudei nada! É que nesta dimensão  onde estamos só enxergamos o outro. Você também não está lá aquela coisa. Foi a espera por você, Armando, que me consumiu.
– Preste atenção, Lélia! Não se iluda comigo. Para chegar até aqui eu passei por diversas portas, em cada uma delas fui pagando até o que eu não devia. Portanto, chego até aqui duro, duro.  Como todos outros que já estão passando na minha frente. Vê , você está atrasando o meu percurso. Sinto muito decepcioná-la, Lélia, mas eu preciso seguir o meu caminho.
– Armando,  que é isso? Você, enquanto vivo, sempre foi um duro. E de todas as formas que se apresentava duro eu gostava, mas se me confessa que até  morto continua duro, quer coisa melhor?? Venha comigo. Já reservei um lugar pra nós dois repousarmos os restos da nossa dureza! Venha comigo. Arrumei nosso ninho aqui atrás dessas ossadas...
– Lélia! Preste atenção! Você é pura caveira. Não tem mais o esqueleto, como eu vou fazer para... hum... para... você sabe o que eu quero dizer, não sabe?
– Claro que sei, Armando. Por isso  eu consegui com uns passantes que eles me arrumassem algo. Vamos, pegue-me com  as suas mãos esqueléticas e leve-me lá. Irá gostar.
Armando enfiou os dedos nos buracos da caveira e a levantou daquele encosto em que ela se encontrava.
– Armando, você está enfiando os dedos nos meus olhos!
– Não tem olhos, Lélia, estou com os dedos nos buracos da sua cara. E vê se para de balançar essa mandíbula, senão cairão os poucos dentes que ainda lhe restam. Nossa, Lélia, como você está feia!

– Ai, Armando! Você continua o mesmo mal educado de sempre. Foi por causa desse teu gênio do cão que eu perdi a cabeça. Aqui! Pare, é aqui o nosso ninho. Gostou?
– Aqui!? Mas o que é isso, sua caveira louca?

– Uai! Uma folha de zinco! Isso fará com que vivamos um amor ardente. Sinta, vê se está quente. Há décadas e décadas está pronta esperando por você!
– Com que intenção, caveira maluca!?
– As piores. Não gostou!? Consegui com uns pagadores de pecados que se perdiam pelo caminho.  As vibrações da folha de zinco substituirão o meu esqueleto, o som será quase o mesmo, e o quentor do zinco, penetrando-lhe os ossos, será o mesmo que o meu, armazenado todo esse tempo à sua espera.
– Lélia, você acha mesmo que eu vou esfolar  os meus joelhos nessa folha de zinco, comprometer as minhas falanges me apoiando nesse negócio pegando fogo só pra matar sua vontade de ser consumida morta? Mas nem morto, Lélia! Esperou pelo esqueleto errado. Se a ponta dessa folha de zinco bater em uma das minhas  joanetes, aí mesmo que eu morro de vez! KKKKKKK
– Armando, joanetes você tinha enquanto estava vivo, morto não tem joanetes!
– Lélia, você morta é mais louca do que viva! Juanetes a gente não perde, como a carne, a gente as carrega nos pés, como castigo!
– Aff, Armando! Vivo você tinha  caroços em todos os membros, usava os pés também para fazer o seu trabalho? Taí, agora entendo porque demorou tanto para chegar aqui.  Foi difícil aos tatus comerem a sua carne fraca, né!?

Na confusão, entre os dois mortos, surge uma pequena aglomeração de esqueletos  fazendo o trajeto na contramão, descendo.
– Ali! Foi aquela caveira ali que nos subornou para roubarmos aquela folha de zinco – gritava um esqueleto histérico.
– Que é isso, esqueleto louco! Tá me confundindo, tá?
– Confundindo, não! Caveira parada no meio do caminho, há décadas,  somente você. Tinha certeza que encontraria você nesse mesmo lugar encostada nas ossadas. Como pôde nos ludibriar, se já tínhamos liquidado todos os nossos débitos nas passagem que conseguimos transpor?  Agora essa, chegando ao patamar do perdão,  somos obrigados a retornar do ponto de partida.
– Vamos levá-la junto – gritou um esqueleto castigado!
– Isso mesmo, ela vai junto, começar o trajeto dela desde o início, por castigo, por  nos seduzir a roubarmos uma folha de zinco.
– Mas como? Eu não fiz nada disso. Armando, por favor me defenda, eu não posso recomeçar a minha caminhada. Nem pernas tenho mais, como chegarei aqui novamente ?
– Ah, Lélia, Lélia! Não posso fazer nada. Se você os ajudou a pecar, o seu castigo deverá ter o mesmo peso que o deles.
Num tilintar de dentes, um esqueleto deu um bicudo na caveira da Lélia, pinchando-a longe.

– Ah,Lélia, Lélia! Viva você sempre me surpreendia,  morta continua me surpreendendo. Onde já se viu – Armando se dirigiu aos esqueletos – quis pôr a folha de zinco aqui no chão, para me esperar, sonhando realizar um encontro amoroso comigo. Coitada, merecia o perdão, só tinha cabeça pra mim, a pobre!
 Entreolhando-se, os esqueletos interpretaram códigos. E num instante, a folha de zinco rangeu vinganças à caveira da Lélia. 
autoria - Rita Lavoyer