CLASSIFICAÇÕES EM CONCURSOS LITERÁRIOS

PREMIAÇÕES LITERÁRIAS

2007 - 1ª colocada no Concurso de poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras;

2010 - Menção Honrosa no Concurso Nacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2012 - 2ª classificada no Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2014 – Menção honrosa Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2015 – Menção honrosa no V Concurso Nacional de Contos cidade de Lins;

2015 - PRIMEIRA CLASSIFICADA no 26º Concurso Nacional de Contos Paulo Leminski, Toledo-PR;

2016 – 2ª classificada no Concurso Nacional de contos Cidade de Araçatuba.

2016 - Classificada no X CLIPP - concurso literário de Presidente Prudente Ruth Campos, categoria poesia.

2016 - 3ª classificada na AFEMIL- Concurso Nacional de crônicas da Academia Feminina Mineira de Letras.

2012 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura


terça-feira, 24 de setembro de 2013

ÓLEO DE BALEIA- AZUL




Ele a odiava por amá-la tão magra. Era a própria mala que ele carregava invisível.
Pela transparência da pele da mulher, podia-se enxergar as veias dela e o tutano encravado naquela forma calcificada.
O marido sentia desconforto ao penetrar seu membro rijo naquelas paredes, podendo sentir ranger o púbis.
Depois de tanta esfoliação indesejada, resolveu desabafar com um amigo o mal-estar que sentia enquanto amava a mulher, no que este recomendou-lhe lubrificá-la inteira com "óleo de baleia-azul" ainda virgem.

_ Onde eu o encontrarei? - Retrucou amargurado o marido.
_ Não o encontrará, pois somente eu o possuo – respondeu-lhe o amigo.

E assim, o próprio amigo encarregou-se de levar o óleo todos os dias àquela esposa de ossos expostos.

A mulher revigorava-se e o marido a sentia mais úmida, generosa e encarnada; passou a ser frequente a visita do amigo àquela casa antes da chegada daquele homem seco por amor.

Marcas roxas passaram a ser constantes nos joelhos e nas palmas das mãos da esposa, intrigando aquele marido, que a questionava. Como não conseguiu nenhuma resposta, decidiu pôr fim à entrega daquele óleo voltando às suas domésticas relações.

Diante daquela seca, a mulher foi se definhando e, sem mais nenhum viço, secou.

Odiou-a ainda mais por desejá-la jazendo esquelética.
Sentindo que a perderia,desesperado, procurou o amigo para ressuscitá-la. Encaminhou-se até a casa dele, chamou-o mas não foi atendido. Angustiado e ansioso pela melhora da esposa, o marido invadiu o imóvel e encontrou o amigo, no quarto, afogado em um aquário, vestindo o mesmo terno azul de sempre.
Rita Lavoyer .

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

SEJA UMA ÁRVORE


Faça uma viagem para dentro do seu peito.
Dentro do seu peito...
Dentro do seu peito...
Veja de quantos degraus o seu Universo é feito.
De quantos degraus...
De quantos degraus...
Desça o seu poço mais profundo,
Respire o seu lixo orgânico imundo.
Respire...
Respire...
Respire...
Quebre o cadeado do seu cativeiro,
Faça isso, mas faça bem ligeiro.
Separe o seu joio do seu trigo,
Queime em você o seu próprio inimigo.
Depois dessa coragem descanse três dias inteiros.
Três dias inteiros.
Três dias...
                                               Três.
Quando voltar à vida
Tente ser um dos primeiros,
Ser um dos primeiros,
Ser o primeiro.
Primeiro!
Faça isso, mas faça bem ligeiro,
Porque um outro pode querer entrar
E ocupar em você o seu lugar
Para semear de novo as sementes da tristeza.
Fuja disso tudo,
Fuja para a natureza.
Identifique-se!
Fixe! E fique. Fique!
Se quiser ficar faça parte dela,
Para o mundo abra a sua janela.
Seja uma árvore,
Uma árvore,
Uma árvore.
Faça o seu balanço debaixo da sua árvore
E embale no balanço debaixo da sua sombra.
Seja uma árvore
E descanse na sombra debaixo da sua árvore.
Seja uma árvore.

Rita Lavoyer

sábado, 14 de setembro de 2013

A MENINA QUE LÊ NAS RUAS





A MENINA QUE LÊ NAS RUAS - O nome dela é Ana Carolina, ao lado a professora  Ana Lúcia, da escola Altina de Moraes Sampaio.
 
Ana Carolina é uma aluna que tomou gosto pela leitura incentivada pela professora Ana Lúcia. Hoje, Ana Carolina não consegue se desgrudar dos livros. Lê andando nas ruas. Se não existir lugar ela o inventa e ali mesmo faz sua história.

A roda foi feita e o fogo no meio para esquentar a contação. E chegava um, chegavam outros, muitos vieram.

A noite estava estrelada, uma estrela mais sábia que a outra, mas não competiam entre si. Brilham simplesmente.

Era uma noite gostosa, essa de agora mesmo. A fogueira queimando e o povo ouvindo. Era noite de prosa. Prosa de avô, de biso, de tatara, de caverna, de bicho-papão e... Prosa de gente, prosa de bicho, prosa de história. Prosa de prosa, ué! Prosa de livro, sô!

Tinha uma menina, o nome dela é Ana Lúcia. Ana Lúcia sonhava com uma floresta, com uma espaçonave, com um deserto, com uma aliança, com um relógio que não funcionasse pendurado no gancho de um cabeçalho.

Ana Lúcia inventou um carrinho de mão. Encheu-o de vida. De vida calada querendo saltar fora as palavras. Levou vida à floresta, à espaçonave, ao deserto, formou com eles aliança sem compromisso algum com o tempo do mundo. A inventora inventou de inventar palavras saltadas. Criou degrauzinhos para que elas subissem. Escalaram montanhas, arranha-céus e, de lá, saltaram no mais profundo dos oceanos. Nadavam, faziam coreografias entre os corais e perolizaram  os seres marinhos, encantando os deuses de todas as profecias.

Das palavras caladas uma borbulhou na boca da folha de rosto. Era um rosto  lindo, meigo e voraz ao mesmo tempo. Mas não de um tempo que passa e não volta, é um tempo que fica pra sempre na história da gente. Rosto de menina que anda e não olha,  nem responde a quem lhe pergunta na rua: 

_ O que está lendo, menina!?

A rua sabe da menina que lê, que dá voz às palavras caladas fazendo-as saltar fora da boca da folha de rosto.

Que rosto sabido tem essa menina! Que menina linda que lê andando na rua. Lendo, tropeçou em um montão de livros e caiu na verdadeira história da Ana Carolina.

Para Ana Lúcia e Ana Carolina, professora e aluna, respectivamente. Exemplos do Altina de Moraes  Sampaio.

Rita Lavoyer

 

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

SAUDADE DA SAUDADE





Saudade,  há muito tempo eu não sei o que tu és.
Por onde andas, saudade?
Por onde andas?
Tu és ruim, mas és muito boa.
Pelos teus caminhos eu transitava flutuante.
Por onde andas, saudade?
Por onde andas?
Por onde fores , desvia-te dos teus trajetos.
Visita-me, saudade!
Visita-me!
Chegando, não precisarás bater.
Entra e acomoda-te  o peso
na poltrona de veludo vermelho
esgarçado  pelo tempo.
Esta, imóvel  no lado esquerdo do meu peito.
Pula nela! Dá-lhe pulsar!

Rita Lavoyer