CLASSIFICAÇÕES EM CONCURSOS LITERÁRIOS

PREMIAÇÕES LITERÁRIAS

2007 - 1ª colocada no Concurso de poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras;

2010 - Menção Honrosa no Concurso Nacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2012 - 2ª classificada no Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2014 – Menção honrosa Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2015 – Menção honrosa no V Concurso Nacional de Contos cidade de Lins;

2015 - PRIMEIRA CLASSIFICADA no 26º Concurso Nacional de Contos Paulo Leminski, Toledo-PR;

2016 – 2ª classificada no Concurso Nacional de contos Cidade de Araçatuba.

2016 - Classificada no X CLIPP - concurso literário de Presidente Prudente Ruth Campos, categoria poesia.

2016 - 3ª classificada na AFEMIL- Concurso Nacional de crônicas da Academia Feminina Mineira de Letras.

2012 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - 13ª classifica no TOP 35 na 4ª semana de abril de microconto Escambau.

2017 - Classificada no 7º Concurso de microconto de humor de Piracicaba.


quinta-feira, 29 de agosto de 2013

CRIANÇA COMO EU




Criança como eu 
 
 
 
Sou criança de tranças, nariz todo sardento
e boca suja de manga.
Sou criança faceira de pés descalços, joelhos ralados
e dente que acabou de cair.
Sou criança de nove horas e que pinta o sete
e um montão de todos os números.
Sou criança assim mesmo, do jeito que eu sei.
Se tiver outro jeito de ser criança, conte pra mim não.
Gosto mesmo é de ser criança do jeito que eu sou.
 
Sou criança que come pipoca no mundo da Lua
e chora quando o filme chega ao fim.
Sou criança de picolé  e de modos desengonçados
que corre muito para não perder o começo do tempo.
Sou criança  mal educada, com medo do escuro
e de histórias mal criadas.
Sou criança que erra pra tentar acertar
e quando acerta divide o confete com a turma.
Do jeito que eu sou, minha criança gosta demais!
 
 
Rita Lavoyer –       

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

CAMISA DE FORÇA

Decreto que hoje, 28 de agosto, seja instituído, para ele ser homenageado, o dia do LOUCO, mais exatamente: DIA DO LOUCO ASSUMIDO - matéria prima, matéria irmã, matéria tia, matéria mãe e pai infinitamente aproveitável e necessária para edificar concretudes subjetivas em toda a História da Humanidade. Aos LOUCOS ASSUMIDOS, sem os quais muitos sonhos adormeceriam incólumes, porém sem sentidos, os meus mais sinceros parabéns pelo dia de hoje! Psicólogo, ontem foi o seu dia! Hoje é o nosso : DO LOUCO ASSUMIDO. Parabéns e obrigada por nos revezarmos neste divã de completudes: Rita Lavoyer

imagem da internet

Na minha camisa de força
Fui largada para sempre
Sem fivelas
Sem braços fortes
Apenas eu

Na força da minha camisa
Não há nada para agarrar
Nem braços
Nem eu
Apenas fivelas

Nos braços da minha força
Não há camisas
Nem fivelas
Apenas velas em fila
Que pena
Rita Lavoyer

terça-feira, 20 de agosto de 2013

FÁBULAS DE LAVOYER - O Caracol e os Pássaros

O CARACOL E OS PÁSSAROS - Jornal Folha da Região 20/08/2013

Na minha condição de Caracol, acompanhar os Pássaros é muito difícil por causa do peso que carrego nas costas. Conheci uma Canarinha que tinha um belo canto. Muitos o pretendiam, mas ela lhes dizia: “Não tem preço! Não tem preço!” Voava cantando e encantando, até que um dia encantou-se pelo olhar de um seu quase igual. Ele era construtor. Construía e enriquecia. Para os compradores, de barro; para os seus amores, de ouro. Juntou muito tesouro.

  Parecia verdadeiro o amor daquele Pássaro Construtor por aquela Canarinha Cantadeira. O Construtor queria que o canto dela fosse somente para ele. Ela entoava canções delirantes para agradar aquele amante. Que pena, depois que ela formou com ele um par, não voou mais, era conduzida por um capataz. Um dia, eu a ouvi dizendo assim:

  - Pássaro Construtor devolva-me a liberdade - pedia com voz triste de desencanto. - Cantar só não soa encanto, também não sou pássaro de voar em bando. Voar só não traz solidão. Viver sozinha, sim! Trancar-me entre os seus abafa o meu canto, por favor, abra a gaiola e me deixe voar.

- Minha querida, o seu canto harmoniza a nossa casa e aqui não lhe faltam Formigas para servi-la, e o que chama de gaiola, para muitos, é um jardim.

Eu, na condição de Caracol, vi como aconteceu: ela lutou com a grade, quebrou o seu canto e morreu. Dela, ficou um ovo que não demorou quebrou a casca. Eram festas e muito luxo para aquela avezinha se esquecer da hereditariedade, única coisa que, naquele filho, era verdade.

Gritar, naquela casa, não podia. Se o filho gritasse talvez descobriria o talento herdado. Mas o pai não queria gritos, por isso dava tudo que podia àquele Passarinho herdeiro. Fraco e franzino que era, não exercitou as cordas daquela goela. Chamou, mas na casa ninguém o ouviu. Enfim, o Passarinho foi atendido por um Chupim. Veio outro e mais outros vieram. Ficaram fascinados por aquele metal amarelo.

– Nós conhecemos a fama que seu pai tem - disse-lhe um Chupim. – Faça amizade conosco, que o levaremos para bem longe desse velhaco.

Assim, do lado de fora da minha casa, eu vi acontecer.

O Passarinho saiu com os Chupins. Nas voadas conheceu os declínios e não sabia pra onde voltar.

  Quando aquele Pai Construtor se deu conta, não se conformou com tamanha afronta. Ferido em seu sentimento, fez um grande levantamento e descobriu que não havia mais nada a contar. As grades estavam serradas e sua maior joia, roubada. Decretou sua falência e saiu a procura do filho.

Achou-o coberto por Formigas. Limpou-o e, com rapidez amassou o barro, fez uma cama para deitar nela o filho que tanto ama. Pagou muitos cantadores para louvarem aquele que já se foi. Com muita agilidade, ergueu as paredes de barro e depressa fechou a porta. Ficaram todos lá dentro, para ninguém mais ouvir nenhum canto no firmamento.

 Como toda causa tem seu efeito, decidiu fechar os bicos, para que ninguém mais saiba do que foi feito daqueles que tinham defeitos.

Eu vi tudo isso acontecer porque, na minha condição de Caracol, entro e saia, quando quero, do peso que trago nas costas. Rita Lavoyer

FÁBULAS DE LAVOYER - O CARACOL E OS PÁSSAROS

O Caracol e os Pássaros










sábado, 17 de agosto de 2013

SEM LICENÇA POÉTICA

Eu não nasci um anjo esbelto,


Como o da Adélia.

Se sou é de pirraça!

Eu não nasci um anjo torto,

Você sabe de quem...

Eu nasci...

Aliás, eu nem nasci!

Ainda estou sendo inventada

E as trombetas não se aguentam,

Querem, com muita vontade,

Anunciar a minha chegada.

Eu não sou do Rio, nem de Santo algum.

Sou mesmo dali, de Auriflama.

Sou! Mas ainda nem nasci...

E quando eu nascer não quero ser coxa,

Nem perneta, nem braceta;

Cega, surda, muda muito menos.

Uma ova que eu vou carregar fardos.

As bandeiras? Às favas!

Quando eu nascer vou mandar a poética à merda!

Eu vou, acaso, nascer um anjo torto?

Um anjo esbelto?

Um anjo?

Eu sou algum anjo,

Para nascer anjo novamente?

Com licença, eu quero ser diaba com mais de 7 faces.

Aí sim, cumprirei a minha sina:

A de provar por que os sinos desdobraram.

Vai, Rita! Ser diaba na vida.

Neste mundo, vasto mundo, está faltando diaba

E sobrando deuses. Estão destronados.

Não há mais lógica nenhuma em dizer:

“Meu Deus, por que me abandonaste

Se sabias que eu não era Deus

Se sabias que eu era fraco”.

Uma diaba ...

Aí sim haverá lógica entre as aspas.



Autoria Rita Lavoyer



sábado, 10 de agosto de 2013

MÃE, FELIZ DIA DOS PAIS.

MÃE, FELIZ DIA DOS PAIS.

“Prestígio de pai”, seria esse o título deste texto, mas quando cheguei ao final resolvi mudá-lo. Há sempre tempo de voltar atrás.

Quando eu era criança, o chocolate prestígio vinha embrulhado em forma de bala. Ter aquele doce em minhas mãos e poder levá-lo à boca, conseguindo tirar o primeiro pedaço dele, seria a glória àquela Rita criança. Mas só vinha um.

 Quando a minha irmã via o meu pai chegando, corria até ele e ganhava uma barra desse chocolate. À minha mãe ele trazia um pacote com barras de doce-de-leite e paçoquinha. Se eu lhe pedisse, ela me daria um pedaço, mas não gosto desses doces. Eu queria aquele. Eu o via sendo desembalado nas mãos da minha irmã, ela tirava uma pontinha e me dava. Eu não entendia por que ele trazia doces à minha mãe se já eram separados. Talvez quisesse voltar...

Acho que alguma vez eu comprei uma barra desse chocolate, não me recordo. Num dia de muita fome, disso eu me lembro, eu desejei demais alguma coisa para comer acompanhada desse doce.

 Quando o meu filho já tinha idade de pedir ao pai saírem para comprar “alguma coisa”, chega a ser cômico dizer isso, mas eu agradeço sempre e o ensino a agradecer também, acabei contando ao meu marido essa minha passagem. A partir de então eu passei, quase todos os dias, a comer um prestígio. Eles sempre vêm correndo me entregar (agora são dois filhos). Mas o de hoje não tem a mesma embalagem daquele que eu queria que o meu pai me entregasse.

Um dia, observei que aquelas bolinhas douradas no papel, que me fascinavam, são cocos divididos ao meio. Como demorei a ver isso...

O meu marido dá aos filhos e a mim todos os prestígios que ele alcança, pena minha mãe não ter tido a mesma graça. Os doces dela encerram-se muito cedo, por muito tempo experimentou o amargo fardo deixado por meu pai, que nunca voltou atrás para perguntar se os filhos ou ela precisavam de algo.

Escrevendo este texto, compreendi que o meu pai só dava o doce à minha irmã, porque era ela quem corria aos braços dele, eu não. Não gostava do cheiro ardente que ele trazia. E concluí que, trazia apenas um porque o pouco dinheiro que ele tinha, investia mais em doces para a minha mãe. Tenho certeza que ele sempre pensou que o doce era igualmente repartido entre as filhas. Ele nunca soube da desigualdade.

Vivi pouco com ele para poder reclamar. Não atribuo a ele nenhuma culpa, afinal de contas, minha mãe soube muito bem cumprir o papel que cabia a ele e a ela. E olhe que naquela época mulher separada do marido não ganhava bom nome. Tinha que permanecer com ele, ainda que o fdp dormisse o dia inteiro sobre um sofá e a cobrança batendo à porta. Os cocos dourados ela carregou sozinha. Esse prestígio ela não dividiu com ninguém afinal, ninguém queria um pedaço, ainda que fosse uma pontinha.

Hoje, sei que ele é um anjo porque se arrependeu, nos pediu perdão e partiu sabendo que nós o amávamos, ainda que ausente.

Obrigada mãe, por manter viva a figura do meu pai, cujo prestígio maior foi ver os filhos criados sem ter feito nenhum esforço.

Como o todo do meu coco é composto da fortaleza da minha mãe e das galhofas do meu pai, tento tirar proveito do que há de melhor desse interior. Como diz o ditado: “Espremendo, sai caldinho”.

A todas as mães que como a minha criou sozinha os filho: O MEU MAIS SINCERO PARABÉNS AO DIA DOS PAIS.

Rita de Cássia Zuim Lavoyer