CLASSIFICAÇÕES EM CONCURSOS LITERÁRIOS

PREMIAÇÕES LITERÁRIAS

2007 - 1ª colocada no Concurso de poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras;

2010 - Menção Honrosa no Concurso Nacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2012 - 2ª classificada no Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2014 – Menção honrosa Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2015 – Menção honrosa no V Concurso Nacional de Contos cidade de Lins;

2015 - PRIMEIRA CLASSIFICADA no 26º Concurso Nacional de Contos Paulo Leminski, Toledo-PR;

2016 – 2ª classificada no Concurso Nacional de contos Cidade de Araçatuba.

2016 - Classificada no X CLIPP - concurso literário de Presidente Prudente Ruth Campos, categoria poesia.

2016 - 3ª classificada na AFEMIL- Concurso Nacional de crônicas da Academia Feminina Mineira de Letras.

2012 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura


terça-feira, 28 de maio de 2013

SÚBITO

Rita Lavoyer

Imagem internet




Ele a olhou dos pés à coxa. O babadinho costurado na barra do seu vestidinho não alcançava-lhe fundilho puído da calcinha  que trazia uma mancha amarelada na parte de trás.

Tentava escalar a pia da cozinha para alcançar um copo e, em seguida, pegar a água do pote que ardia com os raios de sol que adentravam a janela, repousando nele seu calor.

A água estava deveras quente. Mesmo assim, numa escalada ultrapassou a própria fronteira, ela verteu aquele líquido morno, agarrada apenas com uma das mãos à borda da cuba da pia.

Meio corpo dela estava para fora, outra metade debruçava sobre o granito. Enquanto assistia àquelas manobras, ele lambia os beiços, vez e outra enxugava o bigode.

Ela descansou o copo vazio por ali mesmo e depositou-se inteira sobre a pedra fria, misturando-se às louças que careciam sabão e água. Ele a observava, coçava-se e arranhava o bigode.

Enfiou o pezinho numa panela e com uma das mãos apoiava o peso do corpo sobre a pilha de pratos engordurados. Esqueceu-se na traquinagem de uma menina sobre a pia. Levantou-se e se inclinou na janela. Era imensa a altura que se estendia entre ela e o chão daquele pátio do lado de fora. Fazia dos braços e da cabeça pêndulos. Aprazia-lhe balançar o vento, brincando com ele, enquanto que os pezinhos ora tocavam,ora não, a pia de dentro.

Ele levantou-se inquieto. Num piscar de olhos saltou, conseguindo morder apenas o fundilho da calcinha, que lhe ficou entre os dentes, enquanto o restante da menina desapoiava-se completamente do lado de fora. Sem latir e com um pedaço de pano na boca, atirou-se sobre aquele corpinho.

Rita Lavoyer é membro da Ube e Cia dos blogueiros

domingo, 19 de maio de 2013

TROFÉU ODETTE COSTA 2013 - CATEGORIA LITERATURA: RITA LAVOYER

Os meus mais sinceros agradecimentos à Secretaria da Cultura de Araçatuba, em especial a quem  indicou o meu nome para concorrer na categoria Literatura e receber o troféu Odette Costa neste ano de 2013.

                             Jose Fernando Bacelar - chefe de serviço municipal de museus  e
                                       Rosemeiri dos Santos Locatelli - chefe de gabinete 
                                        da Secretaria Municipal de Cultura de Araçatuba.
                                                          Duas excelentes pessoas.


                                   O cantor João Mulato, também contemplado com o troféu
                                       Odette Costa na  categoria nacional e eu.


                                             Minha cunhada Natali e  meu irmão Marcos

 
                                               Minha companheira, minha filha Juliana



                                                                        e eu!!!



                                         O meu esposo não compareceu à entrega do troféu
                                         porque estava viajando a trabalho! Mas é a ele, Célio,
                                             que eu dedico este Trofèu Odette Costa.
                                    Se eu cheguei até aqui foi porque ele me trouxe nos braços.

sábado, 11 de maio de 2013

QUAL O TAMANHO DO SEU MUNDO?

Então, é desse modo que a gente diminui ou aumenta o tamanho do enredo.

A mulher cuidava das suas plantas com tanto carinho que conseguiu humanizá-las. Estavam por todas as partes, cantos, estantes e paredes dentro de casa. O espaço, dentro da casa, era imensamente grande para confortar as centenas de espécies cultivavas.

Os remedinhos, as aguinhas, os adubinhos, o ventinho, o solzinho e tudo mais de que as plantinhas necessitavam eram lhes dados em doses e horários corretos. Isso era sistemático.
Carinhos, conversas, conforto...
Nada faltava àquelas grandes plantinhas.
Lindas de viver elas eram e estavam.
O amor daquela mulher pelas plantas fez com que ela pensasse assim:
“Já que estão lindas aqui dentro de casa, mais lindas e vistosas vocês ficarão se eu as colocar do lado de fora. Lá há mais brilho do sol, vento corrente que nunca para de ir e vir... Poderão sentir as águas das chuvas e conhecer o que é o sereno da madrugada. Vou sentir muito, aqui dentro de casa há espaço e tudo o que há de bom eu lhes ofereço, mas julgo que lá fora vocês serão mais felizes, porque desejo vê-las cada vez mais belas e fortes.”

A mulher explicou exatamente nesses termos a cada uma das plantinhas dela.

Foram dias arrastando vasos, arranjos, jardineiras, correntes e suportes de dentro da casa para fora. Mas nada se ajustava.

Colocava-se os vasos, retirava-se as jardineiras. Os suportes atrapalhavam as correntes. Tirava-se um atrapalhava-se outro. Desenroscava daqui, enroscava dali.

Pendurava uma plantinha aqui, misturava com outra espécie com a qual não podia ter contato. Não podia ficar, mudava tudo novamente.


Foi muito difícil encontrar, do lado de fora da casa, espaço suficiente para tantas flores, arranjos, folhagens, palmeiras, enfim, para aquelas espécies não havia suficiente espaço do lado de fora da casa.

E nessa luta de tira e põe, muda e coloca novamente no lugar as plantas, apesar de continuarem recebendo o mesmo carinho e dedicação daquela mulher, começaram a sentir a diferença da temperatura, da água da chuva, do sereno da madrugada...

Algumas secaram, outras murcharam e derrubavam suas folhas com frequência. As espécies que caíam em cachos também não conseguiam cachear mais.
O desconsolo tomou conta do coração daquela mulher que, parada diante dos vasos, cuidadosamente colocados do lado de fora daquela casa, cruzou os braços, respirou fundo e chorou.

As lágrimas lavavam os olhos e a face dela.

Tamanha sua tristeza, não pôde impedir que sua dor tomasse som. Ouvindo os soluços, o filho pôs-se diante dela e disse:
_ Mãe, guarde suas plantas novamente dentro de casa e cuide delas como antes, assim voltarão a ser como eram. Aqui dentro de casa, mãe, há mais espaço do que aí fora.
Com os olhos lavados de mãe respondeu:

_ Filho! Elas têm que continuar aqui fora. Se eu guardá-las novamente tirarei delas a oportunidade de “tentarem” sobreviver. Recolhê-las, reconfortá-las não as farão lindas e vistosas novamente. Continuarão aqui fora e tudo que precisarem para sobreviver eu lhas darei, como sempre dei. Do que lhes faltar, terão que buscar sozinhas no espaço em que cada uma se encontra.
As estações passaram...
Floriram novamente, cachearam e cada uma foi tomando forma para se adequar ao lado de fora da casa. Logo, o espaço tornou-se o tamanho ideal para que elas sobressaíssem entre si.

_ Mãe, como a senhora, sem mudar nada de lugar, conseguiu com que as plantas coubessem onde não cabiam?

_ Filho! Eu sempre tive amor, carinho e disposição para cuidar delas. Se eu as tivesse guardado dentro de casa, elas voltariam a ser como eram antes de virem para os lugares onde estão. Porém, se em outra ocasião elas necessitassem sair, talvez não aguentariam a mudança de ambiente tamanha a fragilidade de suas belezas e, provavelmente, morreriam para sempre.

Hoje, meu filho, elas estão bem encaixadas em seus lugares e fortalecidas também. Se eu quiser mudá-las de um lado para o outro, de dentro para fora, elas certamente resistirão. Portanto, quando eu estiver indisposta, sem condições de cuidar delas, certamente não sentirão a minha falta, pelo contrário, estarão vistosas e fortalecidas para me agradar e ajudar a passar os meus dias.

_ Mãe, existe um espaço para cada coisa?


_ Não, meu filho. Existe um mundo em cada espaço. O mundo, meu filho, é do tamanho que nós necessitamos. Mas temos que sair a procura dele no tempo certo para encontrarmos o espaço adequado ao nosso perfil. Se sairmos e murcharmos, há de se ter humildade de dizer, isso, enquanto os nossos criadores tiverem disposição para nos levantar tantas vezes quantas forem necessárias. Tudo a seu tempo, meu filho, mas nunca fuja do seu, senão você não fará a sua história.

Rita Lavoyer









quinta-feira, 9 de maio de 2013

TROFÉU ODETTE COSTA



Neste ano de 2013, a Secretaria da Cultura de Araçatuba selecionou Rita Lavoyer para receber o Troféu Odette Costa, no quesito Literatura, pelo lançamento do livro PARTIDA, em 2012.

Quero aqui, agradecer ao amigo José Hamilton da Costa Brito que me apresentou ao poeta  José Geraldo Martinez, falecido recentemente. Foi interagindo com esses dois poetas, virtualmente,  que saíram muitos dos poemas que estão publicados no livro Partida.

Aos dois Josés o meu muito obrigada.

Agradeço a Secretaria da Cultura também.

Até o dia 16 de maio, data da entrega do prêmio.


Rita Lavoyer