CLASSIFICAÇÕES EM CONCURSOS LITERÁRIOS

PREMIAÇÕES LITERÁRIAS

2007 - 1ª colocada no Concurso de poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras;

2010 - Menção Honrosa no Concurso Nacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2012 - 2ª classificada no Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2014 – Menção honrosa Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2015 – Menção honrosa no V Concurso Nacional de Contos cidade de Lins;

2015 - PRIMEIRA CLASSIFICADA no 26º Concurso Nacional de Contos Paulo Leminski, Toledo-PR;

2016 – 2ª classificada no Concurso Nacional de contos Cidade de Araçatuba.

2016 - Classificada no X CLIPP - concurso literário de Presidente Prudente Ruth Campos, categoria poesia.

2016 - 3ª classificada na AFEMIL- Concurso Nacional de crônicas da Academia Feminina Mineira de Letras.

2012 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - 13ª classifica no TOP 35 na 4ª semana de abril de microconto Escambau.

2017 - Classificada no 7º Concurso de microconto de humor de Piracicaba.


quinta-feira, 28 de março de 2013

A Cia dos Blogueiros chega ao fim

A Cia dos Blogueiros chega ao fim

José Marcos Taveira

A Cia dos Blogueiros encerra aqui seu projeto de unir blogueiros de todo o País e fora dele.

Na coordenação desde a fundação, em 2009, não ficarei mais responsável pela entidade virtual a partir desta data. Continuarei como membro, mas seguirei em novos projetos de vida.

O blog oficial continuará no ar, mas não será mais atualizado e nem haverá cadastro de novos integrantes. Nesses quase quatro anos no ar, a Cia dos Blogueiros cadastrou 622 blogs, publicou 612 textos de seus membros e produziu 14 ebooks enviados por integrantes.

Nosso grupo no Facebook é usado por uma parte dos membros para divulgar seu conteúdo, além da discussão de temas que envolvam nossa área.

Também produzimos o concurso "Melhores blogs de 2012", um sucesso na quantidade de participantes, que ajudou a divulgar os melhores de nosso grupo.

Criamos ainda a campanha "Sou blogueiro original", ajudando os integrantes a se destacarem em seu trabalho original. Em outra campanha, "Plágio é crime", selos foram distribuídos em vários blogs contra uma das piores pragas do mundo virtual: o furto da criatividade alheia!

Em 2010, a Cia dos Blogueiros recebeu o troféu cultura Odette Costa, na categoria 'Mídias livres', "pela iniciativa de agregar aqueles que mantêm blogs e divulgação de eventos culturais".

Em 2011, idealizado e coordenado pela blogueira Andreia Pisco, publicamos nosso primeiro ebook com poesias de nossos participantes.

Em 2013, seu projeto mais audacioso: a criação de "O maior poema", idealizado e coordenado pela blogueira Rita Lavoyer. Um sucesso também entre seus integrantes, ajudando a incluir novos membros e a divulgar a poesia pela rede mundial de computadores.

CONTINUAREMOS NO FACEBOOK
Vamos continuar com nosso grupo no Facebook, a maior rede social do Planeta.

O espaço continuará a ser moderado por mim, mas passará a receber qualquer pessoa, blogueiro ou não, que queira divulgar seu trabalho ou simplesmente acompanhar o conteúdo dos blogs publicados.

Acesse aqui nosso grupo e solicite sua participação. A todos que compartilharam este sonho de transformar a blogosfera em um espaço melhor, muito obrigado.

 Bons posts e sucesso sempre!

segunda-feira, 25 de março de 2013

A FLOR LILÁS


 

 

O que é de um homem,

que para matar a fome

mata, mas não come.

 

O que é de um homem,

cuja fome o come e

o mata.

O mata enquanto homem.

 

O que é da fome que o

homem  carrega,

se para matá-la

tem que ler as normas e

respeitar as regras.

 

O que é da morte

Dessa tamanha fome

Que morrer não pode,

mas mata tanto homem...

 

Se morrer não pode

Essa tamanha morte,

Verta-se à sorte  

do imenso corte,

e não se comporte

caso não suporte

o delírio que provoca 

o pólen que desse corte sai.

 

Portanto, nunca se compraza

E não mate essa fome que o mata.

Porque morrendo-a, matará também

A singela flor lilás.
 
Autoria - Rita Lavoyer

 

 

 

sábado, 23 de março de 2013

PÓ DO TEMPO

O tempo quis passar correndo,
mas enfiei minha mão na poeira
rasgando a sua cortina.
Conforme ela corria,
ia formando um plissado de pó
no tempo parado
pela palma da minha mão.
No plissê pendurei o meu laço
e soltei a minha palma.
O pó caiu no chão,
o plissado ficou liso.
O laço voa no tempo
esperando que lhe puxe a fita.
O mundo girou parado
e tudo ficou no lugar do movimento.
Só eu fiquei fora dele.
O laço voava...
Caiu sobre a minha face
plissada pelo tempo.
A fita esfarelou-se, estava velha.
Nas minhas mãos virou pó.

Rita Lavoyer

sexta-feira, 22 de março de 2013

A SEDE DA MINHA ÁGUA


A sede da minha água! 

Minha água tem sede!

Tem sede de partículas que ela desconhece ainda,

Mas o saber existir assanha-lhe o fluxo.

Minha água tem sede!

Tem sede do elemento de número atômico 1

Desejando acasalá-lo ao outro de atômico 8.

Minha água tem sede!

Tem sede de elementos indispensáveis à vida,

Sejam eles sólidos, líquidos ou gasosos.

Minha água tem sede!

Tem sede de suor, de saliva, de lágrima, de urina, de humor.

De infiltração de substâncias minerais...

Minha água tem sede!

De cristal, de seiva, de suco amniótico,

De piracema, de oceano, de  mar, de rio, de lago, de nascente...

Minha água tem sede!

Tem sede de 1/3, de um rosário, de uma oração.

Oro por ela, 2/3, até mais.

Ainda que eu me desidrate; o Planeta, não!

Rita Lavoyer

 

 

 

quinta-feira, 21 de março de 2013

POESIA

 
Rita Lavoyer
 


Poesia, faça-me teu dia, tuas horas, teus minutos e segundos. No teu pulsar que eu seja o oxigênio. No teu agir que eu seja o motivo. No teu sentir que eu seja.. que eu seja eu. Rita Lavoyer.

sábado, 16 de março de 2013

DESVENDANDO MISTÉRIOS


DESVENDANDO MISTÉRIOS

Gema era uma criança diferente. Sua cútis apresentava uma cor que açulava o olhar    da multidão, inibindo o apetite de algumas pessoas. Gema, todavia, honrava o nome que trazia: Gema!

Não podiam tocá-la que Gema soltava os seus ‘ais’. Eram “ais” daqui, eram “ais” dali.  Os gemidos da Gema foram tomando grandes proporções. Já moça, não havia compatrícios que desconhecessem os “ais” da Gema.

A mocidade dela começou a cercar-se de incômodos. Intocável Gema!

Como uma nuvem fenomenal, a história da Gema pairou   sobre as cidades do entorno de onde Gema morava, derramando sobre elas a substância lipídica daquela atmosfera contida.

“Não me rele, não me toque! O meu nome é Gema!”

“Gema, Gema, Gema... Ai!...”

Virou motivo de piadas a ziguizira da Gema.

O assunto caiu nos ouvidos de uma criatura incontida, moradora de um desses lugares,  desabrochando-lhe a clarividência. Não tardou em jogar as suas bugigangas em uma mala e rumar para  a cidade que acolhia Gema.

A poeira seca da estrada arranhava-lhe os dentes da boca sem saliva nenhuma daquela espécie de gênero indefinido, que descera, toda  desengonçada, do pau de arara apinhado de gente misturada às galinhas e seus pintinhos. Parecia um plasma  germinativo se  arrastando  com a mala nas costas. Aquela morbidez disforme preenchia totalmente a malha da camiseta  verde desbotada, colorida por  um degradê de suores ressecados, que confundia-se com a calça safári tomada por bolsos.  Aquela coisa esbranquiçada, sem forma e nem aparência, desabotoou o seu cansaço diante do primeiro ser que ela avistou.

_ Conhece uma moça com o nome de Gema, que mora nesta cidade?

_ Oh, moça! Quem não conhece a Gema? Só faz gemer, a pobre. Até bendizência já andam fazendo pra coitada poder melhorar! Mas não há dedos em rosários que convençam o Senhor para acalentar o sofrimento do povo daqui da cidade, entende? Digo do povo, porque desde que Gema se pôs a gemer, até descontrato de núpcias entrou no rolo. Se Gema gemer depois do horário das galinhas irem pro poleiro, vixi! Aí mesmo que ninguém procria na cidade. Filho gerado em noite que Gema gemeu pode nascer sem as coisas... Se a senhora me permite confiança... Hum... hum... Perdoe-me, senhora, vou guardá-lo!

A cara  amarrada da visitante calou imediatamente o exibicionismo do  homem, o maior informante que aquela cidade  já registrou em todos os seus anais.  

_ Vou encaminhá-la até a casa dela, mas o que a senhorita  pretende com aquela gemedora? Antes, pretende tomar um copo d’água?

Sem conseguir respostas para as suas perguntas, o intrometido a cicerone seguiu na carreira da moça que o ia deixando para trás, sem mesmo saber o rumo do destino. Ele a  levou   bem na porta da casa da Gema, onde a padecente,  há muito, se confinara. O informante  não arredou  o pé do lugar, querendo logo se assuntar sobre a estada daquela visitante  naquela cidade pacata no interior do fim do mundo.

A porta da casa lhe foi aberta. Uma mulher cumprimentou a moça que ninguém ainda sabia, conhecida ou não daquela família. O cheiro que saiu pela abertura da porta era fétido e desequilibrante.  As duas  adentraram o local, mas ao  homem não foi dada a mesma sorte para acalentar a gula da sua curiosidade.

Passado algum tempo, podia-se ouvir nas alturas os “ais” da Gema. A cidade toda se fechou em orações naquele momento, como nos demais momentos outrora gemidos nos tímpanos do povo.

A porta da casa se abriu  e a visita e a  visitada, que não a Gema, puderam  ver o homem espremendo os ouvidos para tentar ouvir, através da parede, o que se passava lá dentro.

_ O senhor pode me informar onde arrumo um lugar  para passar alguns dias?

_ Claro! Na minha casa tem um quarto que... se eu ajeitar um pouquinho ficará ótimo para a moça se hospedar.   Não querendo ser deselegante, a moça vem de onde mesmo?

_ Isso aí, fica à vista de todos? Tem necessidade de mostrar que tem isso? 

_ Vou guardá-lo, madame!

Sem conseguir, novamente,  resposta, seguiram calados até chegarem à casa.

_ Moça, pode se achegar que a casa é humilde, mas é limpinha! Esse é o quarto que, não demora muito, boto nos trinquis para a moça ficar no conforto. Sem querer me intrometer, qual é o nome da moça?

_ Chama esse chiqueiro de casa? Onde se toma banho por aqui?

_ A moça pode entrar na porta à esquerda que  é um banheiro. A porta não tem trinco porque eu moro sozinho mesmo, né?! Mas pode tomar o seu banho, fazer as outras coisas sossegada, que aqui o que não falta é respeito.

_  Hum...Vai me cobrar quanto para eu  enfeitar esta pocilga?

_ A moça pode ficar à vontade, dê o que a moça achar justo.

Ela enfiou a mão num dos bolsos da calça e  entregou-lhe  um maço de dinheiro que, impressionado, pegou-lhe  a mala  e a colocou no quarto dele, querendo, aflito,  numa só palmada, juntar as penas que intuíam vazar daquele cômodo para o outro.

_ Acho melhor a moça ficar com esse quarto aqui, que já está arrumadinho. Eu arrumo aquele outro pra mim e já vou providenciar uma fechadura arretada para a porta do banheiro, assim a moça pode fazer as suas necessidades e tomar o seu banho em paz e com segurança.

_ Por que quer me mostrar que tem isso?  Tem o hábito de ficar com isso a mostra?

_ Não, moça! É que ele é meu, gosto dele!  É por isso!

_ É! Está bem acabadinho! Isso ainda pia?

Desconcertado, o hospedeiro resolveu ciscar-se daquele terreno,  deixando  a moça encaixando-se no conforto que a ele convinha lhe proporcionar.

Não demorou muito e a  casa já estava hospedaria, com a feição do dono que, dado a vidente, esparramou para todos os cantos da cidade que ele hospedava uma pesquisadora que viera especialmente para estudar os “ais” da Gema.  

Curiosos se apeavam em frente àquele futuro comércio que eram aos montes. Não demorou, na varanda já havia mesas e cadeiras. Um freezer ficou lotado  com garrafas de bebidas e de hospedaria a casa acabou, também, virando um boteco onde  os curiosos se reuniam para tentar  desvendar os mistérios daquela visitante. Até apostas eram feitas naquela varanda. Quando ouviam os “ais” da Gema, apostavam que a moça não pernoitaria ali. Se não ouvissem os “ais”  da Gema, silenciando a cidade, apostavam que a moça  retornaria antes do jantar.

Retornando sem avisar, ela o pegou remexendo sua mala, que esquecera aberta quando, pela última vez, saiu num surto só!

_ Tire o seu focinho de gambá das minhas coisas! Saia deste quarto, seu enxerido! Vá procurar alguém da sua espécie para se intrometer com ele antes que eu lhe arranque as glândulas fétidas que traz neste seu corpo verticalmente comprometido! Já estou enjoada  de me hospedar neste seu comércio infame! Fica sempre com isso à vista?

_ Se isso não a agrada, posso escondê-lo. A moça fique à vontade para permanecer nesta casa o quanto quiser. Se não tiver mais o dinheiro para pagar, nem faço conta. Basta que a moça me dê a honra de continuar a pernoitar aqui, pois olhe, me faz companhia.  Vivia mesmo muito só! A  moça me agrada por demais!

_ Ah, cala a sua boca! Aliás, qual é o seu nome mesmo, heim!?

_ Se a moça pretende jantar, posso lhe arrumar uns bons petiscos antes que lhe ponha a mesa.

_ Vá! Sirva-me o que tem aí,  que hoje  o meu trabalho foi duro! Estou morta de fome!

Metido a cozinheiro, ele se desfez de um dos seus especiais e o serviu  a passarinho com folhas verdes. A mesa parecia mesmo uma mesa de boteco de fim de mundo resolvido na varanda de uma pocilga.

Ansioso para não perder aquela hóspede inventada às carreiras,  bateu ovos e preparou omelete que serviria com moelas ensopadas. A garrafa de cerveja, trincando de gelo, a esperava para refrescar a garganta seca daquele inferno de fim de mundo e da moça também.

_ O que é isso, seu infeliz? Ah, isso, de novo diante dos meus olhos?

_ Ah, sim! Já o escondi. Isso? Preparei com todo o carinho, especialmente para a senhorita. O frango é fresquinho, tempero que atrai a minha freguesia e a faz lamber os  beiços e pedir mais. Isso é omelete à moda da casa, batido com fígado  picadinho e cheiro verde. Não pus queijo ralado,  moças finas costumam apresentar alergia a  isso, mas se preferir posso bater outros ao modo da moça, o que acha?

Devoradora  de Hitchcock, a aprendiz de xeretice ultrapassava a bizarrice do próprio, abominando qualquer alimento vindo dos galináceos, principalmente o produto final da fêmea.

Numa volúpia desencarnada, ela enfiou as mãos por debaixo da mesa, virando-a de pernas para o ar, fazendo voar os pedaços do frango matado especialmente para ela. A omelete, ela a esmagou entre os dedos. Com as bochechas sangrando por dentro, a sua temperatura derreteu o gelo que branqueava o casco da  cerveja, que ela tomou na garrafa  mesmo.

Diante da cena, vendo-se vencido, o hospedeiro  tratou logo de esconder o seu bibelô no devido lugar, protegendo-o; igualmente ao objeto que conseguiu surrupiar da mala da moça.

_ O que fez a moça se desentender assim com a refeição? Se a fome bater no estômago ainda, posso preparar uma canja que esquente o seu sutil paladar.

Somente a cadeira onde aquela nervosa se sentava permaneceu no lugar. Nas janelas não havia mais espaços que encaixassem  cabeças dos frequentadores daquele boteco.

_ Saiam do poleiro, seus piolhos de toupeira!  Estão pensando que vão assistir de graça ao espetáculo que travarei com este porco metido a cozinheiro de fim de mundo? Sumam da minha frente, seus fuinhas desenturmados,  antes que eu pegue as minhas coisas e suma deste antro de gambás.

Tudo, menos isso, era o que aqueles espectadores desejavam para a cidade. Voltaram cada um para as suas posições e continuaram a cuidar dos seus copos e das suas porções. A moça gelava o seu colágeno com abruptos goles que sugava na boca da garrafa.

De repente, já adentrados noite afora, os “ais” começavam a ser ouvidos, acumulando em um canto só da varanda os que rogavam consumir informações sobre aquela que ali aparecera tão sem mais nem menos. Ela saiu em disparada quase que voando para a casa da Gema, mas ele saiu na frente, desembestado, catando cavaco, e a moça atrás, alçando em seus calcanhares.

O que ele pretendia tentando chegar primeiro para alcançar o próximo “ai” da Gema, não se sabe, porque a moça desengonçada plasmou sobre ele, derrubando-o na poeira seca dentro da qual rolaram. Ele ficou ali, gemendo “ais”, enquanto ela, escondendo um instrumento,  aos tropeços, atingiu a casa da Gema.

A população toda correu para o mesmo destino. Encontraram-no caído,  gemendo “ais”!

_ Garnisé Galo, cadê o seu bibelô, homem?

_ Aquela dona fugiu com ele, Garnisé?

_ Oh! Nossa! E agora, o que será de você, Garnisé? Que crueldade!

_ É, nós desconfiávamos que você não deveria tê-la deixado  ciscar no seu terreiro. Sabíamos que coisa boa não poderia vir  daquilo. Agora, olhe só para você! Coitado do Garnisé, perdeu o que ele tinha de melhor.

_ Chore não, Garnisé!

A plateia queria, mais e mais, fitar Garnisé e com tantos “Oh!”,  “Oh!” não  se ouvia mais os “ais” com timbre feminino.

Correram, levando nos braços o exemplo de um suplício. Garnisé perdera o seu porte. Acharam a porta da casa da Gema arrombada. Pela primeira vez, em anos, a população conseguiu adentrar aquele ambiente escuro, quente e fétido de onde ecoavam os gemidos que atordoavam a cidade.  E os “Oh!”, “Oh!”  repentinos e repetidos, repercutiam dando novo selo a Zoovolândia.

Era o momento de Gema aquecer o seu frio. Viram-na coberta. Conseguiram, a tempo, assistir a uma fusão. As duas coisas tornaram-se, pois,  uma só célula. Aquela visão era clara.  Não resistindo à repulsa, chocados, os olhares fritaram aquela composição, que  trazia, destoando da realidade,  um pinto vivo, que ofegava,  no meio da fecundação.

Garnisé Galo, quietinho no meio do povo, registrava tudo na microcâmera que pegara da mala. Hoje, de posse dos seus materiais, Garnisé Galo, apostando caro,  desafia quem lhe dê a resposta exata sobre aquela pergunta do ovo e da galinha.

Diante da certeza  de alguns ele mostra um material. Na dúvida, mostra o outro. Não perdendo, com isso, nenhuma aposta.                   

Rita Lavoyer – Membro da Cia dos Blogueiros e UBE.                                                         

quarta-feira, 13 de março de 2013

RETALHOS DE UMA HISTÓRIA - opine.

 
Leitor, na sua opinião este texto é uma crônica ou um conto?
 
É UMA CRÔNICA!
 
 




Quando eu lia os textos dela, distinguia em cada um deles a história ou notícia que pretendia contar. Ele era de chegar na hora certa, o jornal, e a leitura era degustada ao aroma do café. Minhas mãos agarravam as folhas; meus olhos, as letras. Na boca, o pão mastigado com os tipos explícitos daquela minha especial. Corria ao ponto de ônibus refletindo sobre os parágrafos tipografados naquele papel. No trajeto, as análises da minha lida, digerida ao ponto máximo para que eu pudesse inteirar-me do contexto. Sentia-me substanciado com as informações que ela me fornecia. Elas me confortavam naquele banco duro do ônibus.

Virava-me para o passageiro ao lado e puxava um assunto sobre o tema que havia lido, explicado deliciosamente por aquela que, de forma sábia verbalizava o dia a dia. Eu lia por diversas vezes o mesmo texto, era assinante assíduo do matutino e leitor voraz dos trabalhos dela. A cada dia, um algo mais era acrescentado ao meu leque de conhecimentos que ela me havia aberto, e com o qual eu me aprazia durante toda a jornada, até que chegasse ao meu destino. Descia do ônibus conversando em voz alta com as palavras apreendidas.

Os transeuntes me observavam com olhares de deboche. Eu parava sempre diante de um ou de outro e puxava assunto sobre o que havia lido durante o café da manhã. “Hoje ela escreveu sobre o assunto tal...” E dessa forma eu ia parando os passantes que ignoravam conhecer aquela a quem eu tanto admiro.

Lia-a conseguindo sentir cada expressão dela, o que me possibilitava conhecer-lhe a alma.

Talvez escrevesse primeiro em uma folha de papel, a lápis. Depois ia ao jornal e os datilografava. Assim eu a imaginava escritora.

Não havia um retrato dela. Apenas um desenho em preto e branco estampado naquele espaço de papel tipografado me foi suficiente para traçar o semblante feminino de quem me abastecia de informações durante os meus cafés da manhã.

Recortes de jornal amarelados compõem um arquivo do dia a dia de quem, por vários anos escreveu sem conhecer os seus leitores. Retalhos dos recortes eu os trazia na lembrança e cada qual, ao seu formato, conseguia encaixar completando um mosaico. Tornaram-se todos uma obra. Detalhes tão precisos fizeram-me decifrar a essência daquela minha escritora preferida. “Ama-me”, assim eu a lia.

Mas eu já a amava. Aqueles códigos, por mim decifrados, deram-me segurança para ir procurá-la. Prudente, esperei que o emocional se acomodasse. Não me contendo mais por tê-la traduzido através das minhas leituras, ao meu estilo, uma carta a ela enderecei:

“Minha senhora. Há muito eu a leio e a admiro. Com as informações que me passa diariamente, consegui me firmar nos assuntos, outrora desconhecidos por mim. Eu a espero todas as manhãs. O jornal, se eu o abro, é apenas para lê-la. Eu a acompanho ao longo da sua carreira, se assim me permite, quero dispensar o ‘senhora’, e eu bem sei o quanto seus trabalhos vêm recheados de sentimentos. Conheço-os e sei o quanto eles são fortes e compatíveis aos meus. Os seus escritos eu os tenho todos arquivados e deles consegui ver a moça que vem por trás da escritora. Não sei se o correto é escritora ou cronista, mais adequado ao seu estilo seria artista, pois consegue promover a arte com suas letras. Amo-a tanto quanto pedes para ser amada. Amo-a há muito, muito tempo. Ainda que o jornal se extinga, que as letras se calem eu não a deixarei cair no esquecimento dos seus leitores, caso isso venha a acontecer, espero que nunca. Hei de honrá-la, pois é você a razão inspiradora das minhas linhas secretas. Confesso: às vezes, rascunho algumas idéias, mas longe, bem longe estou de chegar à sua perfeição. Precisava escrever-lhe para dizer o quanto aprendi com o seu trabalho. O importante agora é que eu consegui, com essas palavras que aprendi lendo-a, dizer-lhe que eu a amo, minha escritora preferida”.

Não sabia qual seria a reação dela e nem se haveria resposta. Mas houve. Ela entrou em contato comigo. Nos encontramos uma vez, duas e outras tantas que já éramos assuntos diários naquela redação. Fui tema de algumas crônicas dela. O jornal ainda é o mesmo, mas daquela redação já não se vê mais nada igual. Está todo informatizado. Escrevo todo o meu amor na mesma máquina que ela usava para trabalhar, depois transcrevo-o para o computador.

Ela se foi. A minha querida esposa se foi, mas como havia prometido em minha carta, hoje, no espaço que pertencia a ela e que eu o ocupo, faço questão de deixar registrada toda a ternura que ainda lhe tenho. É por ela, somente por ela que me faço cronista para que, durante os cafés da manhã, os que lerem minhas crônicas saibam o que eu sinto, porque sou formado de retalhos. Retalhos de histórias escritas neste jornal por minha escritora predileta. Os retalhos das histórias e notícias escritas por ela compõem o meu corpo, e com eles aqueço-me do frio da sua ausência. Hoje, sou obra dela. O meu café tomou outro sabor.




Autoria- Rita Lavoyer



sexta-feira, 8 de março de 2013

MULHER - Por Marianice Paupitz Nucera

M axima em todas suas atitudes
U nica em seus gestos maternais
L eve como pluma qdo dita o amor
H oje amanhã e sempre
E mbala todos os corações
R edescobrindo a razão de viver

Marianice Paupitz Nucera - Coordenadora do Grupo Experimental.

quinta-feira, 7 de março de 2013

HINO À MULHER


           HINO À MULHER




           É pra Mulher!

           É pra Mulher!

           É pra Mulher!

           Que um povo heróico deve

           sempre que ganhar a luta

           entregar o seu troféu!

           Porque Mulher, foi caçada, mutilada,

           prisioneira, abandonada,

           só porque trouxe na vida

           o objeto da armada.             

 

            Só a Mulher!

           Só a Mulher!

           Só a Mulher!

           Não tendo o que dar aos filhos

           faz da palma das mãos o prato e o talher.

           Isso é Mulher! Isso é Mulher! Isso é Mulher!              
 

            Se apanha ela levanta!

            Se apanha ela levanta!

            E só levanta porque é uma Mulher.

           Isso é Mulher!  Isso é Mulher!  Isso é Mulher!

 

           Obra mais linda que Deus fez à flor da pele

           e que consegue carregar o fardo - dor e amor.

           Se Ele  assim a fez é porque  sabia

           que somente a Mulher poderia

           carregar todo esse esplendor.

 

            Mulher é isso e,    

           mesmo que  viva à margem,

            não importa a sua imagem.

           Qualquer hino à coragem

            plagiou uma mulher.
                                                          

 Escrevi em homenagem à minha mãe ,Dona Dirce, que apanho a vida inteira e nunca abandonou os filhos que o meu pai não quis cuidar: por acaso eu e meus irmãos.
               Rita Lavoyer

terça-feira, 5 de março de 2013

BÁRBIE, UMA BONECA UTILITÁRIA




 Dia 09 de março de 1959 foi o dia do lançamento da boneca Bárbie. Hoje, ela tem 54 anos.

Quando a criança de casa faz aniversário, nem emoção ela sente sabendo-se que ao abrir o presente encontrará a mesma coisa dentro de todos.

“ Essa eu já tenho, né mãe!” Essa, essa, essa, também!”

Em casa, quando pega pra brincar é uma cabeça para um lado, corpo para o outro, aqueles fiapos de cabelos loiros, ruivos, pretos brilhantes se amontoando no chão, que chega até enroscar nos pés da gente. Passar condicionador nos cabelos delas desembaraça. Mas... nem rastelo...

As Bárbies são bonecas que qualquer um pode tirar-lhes a cabeça e colocar em outro corpo. As partes são iguais, o material idem. O que as torna diferentes é a cor de cada uma. Se colocar uma cabeça ruiva num corpo negro, cabeça negra em corpo branco não faz diferença nenhuma. Lavar as roupinhas delas somente com escova de dente.

Enfim, vamos fazer uso dos objetos. Peguei um saco de lixo, enfie as magrelas dentro dele junto com outras gorduchas de pano e rumei pra escola para trabalhar com as crianças o valor do diálogo, do silêncio, do abraço e outros que foram surgindo no decorrer da dinâmica. Claro que as bonecas de pano, gordinhas, surtiram mais efeitos, atingindo o meu objetivo. Elas enchem os braços de qualquer criança. Além do mais, por mais que tentassem, não conseguiram arrancar-lhes as cabeças, eram fixas ao corpo. As crianças as abraçavam, trocando os seus cheirinhos de gente que cada uma trazia em si.

No que, de repente, uns menininhos se engraçaram com as Bárbies. Agarrando-a pela cabeça, um deles foi direto, mirando o olho do coleguinha com os pés da Bárbie. Se eu não separo a tempo aconteceria uma tragédia irreparável naquele momento. Muitas conclusões nós, crianças e eu, tiramos daquela aula. Bye, bye, Bárbie! Nunca mais!

É proibido dar brinquedos com motivos bélicos às crianças. Como dar Bárbies pode, cheguei em casa atônita.

_ Filha, vamos treinar. Traga sempre uma Bárbie ao seu alcance. Se você for surpreendida por um marginal qualquer enfie, sem dó e com toda a sua força, os pés dela no olho do bandido.

Os pezinhos delas são lâminas fatais. Você derruba o meliante e ainda corre pra galera. Jogamos esses sapatinhos de bicos redondos que elas têm. Passamos bastante fita adesiva no pescoço delas para não perderem as cabeças quando você for dar o seu golpe de defesa. Entendeu?

Agora poderemos parar no semáforo com os vidros abertos. Numa investida nós atacaremos de Barbie nos olhos dos atrevidos afinal, qual bandido terá medo de alguma coisa que até criança consegue manipular a cabeça?

Já que estão sobrando, vamos distribuir Bárbies para as avós. Deverão carregá-las uma em cada mão, para quando forem ao banco, receberem suas aposentadorias com segurança. Na intuição de estarem sendo perseguidas, nem precisa mirar. É só golpear para trás, qualquer lugar que o pé da boneca entrar o corte será profundo. Ainda que não seja mortal, o assaltante certamente não escapará de uma hemorragia.

Como eu sei que só tenho leitores gente boa, não corro o risco de passar essa informação tão preciosa às pessoas com segundas intenções. Assim sendo, faça bom uso dessa arma. Terá uma boneca em sua defesa e não correrá o risco de ser condenado por porte ilegal de arma.

Rita Lavoyer é membro da Cia dos blogueiros e UBE.