CLASSIFICAÇÕES EM CONCURSOS LITERÁRIOS

PREMIAÇÕES LITERÁRIAS

2007 - 1ª colocada no Concurso de poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras;

2010 - Menção Honrosa no Concurso Nacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2012 - 2ª classificada no Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2014 – Menção honrosa Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2015 – Menção honrosa no V Concurso Nacional de Contos cidade de Lins;

2015 - PRIMEIRA CLASSIFICADA no 26º Concurso Nacional de Contos Paulo Leminski, Toledo-PR;

2016 – 2ª classificada no Concurso Nacional de contos Cidade de Araçatuba.

2016 - Classificada no X CLIPP - concurso literário de Presidente Prudente Ruth Campos, categoria poesia.

2016 - 3ª classificada na AFEMIL- Concurso Nacional de crônicas da Academia Feminina Mineira de Letras.

2012 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura


terça-feira, 28 de junho de 2011

SHIN GRI LIM




Shin Gri Lim é uma menina dócil.

Meiguice à flor da pele.
Shin Gri Lim tem um hobby: cuidar de grilos.


Entre todos os grilos que ela tem, o seu preferido é o Grilim.


Então é primavera.


É campo, é relva, é flor, é fervo.


Saiu a bela Shin Gri Lim para passear com o seu Grilim.


Estava quente. Grilim quis refrescar-se.


Shin Gri Lim deixou-o livre.


Sentou-se no chão, debaixo de uma árvore.
O vento batia em Grilim. Grilim gostava, a Shin também.


Rastejava sobre a relva a cobra faminta.


Grilim friccionou suas asas.
O campo minou, havia fumaça, a flor explodiu.


Grilim pulava. Grilim pulou.


Putzgrilo! Cri cri... cri cri...

Shin assina, agora, apenas Shin.

Rita Lavoyer é membro da Cia dos blogueiros

quarta-feira, 22 de junho de 2011

A 5ª ESTAÇÃO

imagem da internet





Exausta, ela desceu as escadarias externas da construção para ganhar os trilhos que passavam sob ela. Tinha que ser rápida, porém cautelosa, pois os degraus deixavam-se esfarelar pelo tempo. Quando chegou lá em baixo, as águas banhavam os seus tornozelos e o calor foi abandonando o seu corpo. Apertava aquele futuro bilhete em uma de suas mãos. Deixá-lo cair colocaria tudo a perder.

Conseguiu, a muito custo, aquele bilhete para chegar à 5ª estação. Com os seus pés sob a água, ela corria sobre os trilhos submersos. Tinha que chegar na 1ª estação, o ponto de partida. A espera pelo trem a fez conseguir o seu feito: esfarelar o carvão a ponto de pó. Chegou.
Na subida, depositou em uma ampulheta o pó conquistado.

O maquinista sorriu-lhe. _ Parabéns, dessa vez você conseguiu! - Fechou a ampulheta e posicionou-a para contagem do tempo. Somente ela, um minúsculo corpo frágil naquele vagão.

Na 2ª houve parada e adentrou alguém usando máscara, atravessando as estruturas sem que a porta lhe fosse aberta. Sentou-se na frente da menina. Ele tentava fixar o seu corpo no assento. Ela o observava serena tentando decifrar aquele corpo transparente.

Outra parada e nesta o bilhete ainda não estava totalmente esfarelado a ponto de ser aceito. O trem partiu, deixando com as mãos estendidas o velho que pretendia seguir. A menina pôde ver aquele do lado de fora retornando para onde, de fato, deveria ter começado.

Na 4ª, mais uma parada. Ela observava ansiosa a sua ampulheta derramando o pó daquele carvão conseguido com tanto suor, temendo que ela caísse pondo todo o seu roteiro a perder, desejando chegar logo ao seu destino, a 5ª estação.

Outra passageira entrou, mas pela porta de saída sem depositar o seu pó. Para ela também não havia ampulheta. O maquinista acionou o som e o trem seguiu com a porta detrás aberta. Eram três passageiros em um único vagão. A menina passeou o seu olhar na valise cor de terra que aquela passageira carregava. A velocidade do trem trazia para dentro do vagão as águas do lado de fora.

_ Senhora, está molhando a sua valise, talvez devesse erguê-la. Senhor, Senhor! Esqueceu-se de fechar a porta de trás!

Ela gritava, mas sua voz parecia muda dentro daquele vagão tão vazio de três componentes.
Aquela de olhar austero, cabelos curtos, repartido do lado, mas de voz suave, doce e concreta perguntou-lhe:

_ Onde pretendes chegar?

_ Na 5ª estação, senhora. Demorei muito para conseguir o meu bilhete. Preciso chegar lá antes que o pó da minha ampulheta termine de descer. Queria mesmo poder segurá-la nas minhas mãos, para ter a certeza de que o meu tempo não irá se perder.

_ Ela está segura ali, está bem fixada. Não me parecer que irá cair.

_ Esforcei-me para poder matar a minha saudade... Há muito ela me espera, mas eu não conseguia conquistar o bilhete, porque eu era muito pequena e as tarefas que me eram atribuídas eram pesadas demais e eu não conseguia realizá-las completamente para ganhar a minha liberdade e chegar até lá, o nosso ponto final. Uma vez eu consegui realizar uma tarefa e ganhei um carvão bem pequeno. Corri até a 1ª, mas o pó não era suficiente para me levar até a 5ª. Por isso, eu retornei. Agora eu consegui. Vou poder abraçá-la. Tenho certeza de que ela me espera e quer me abraçar também. Quando partiu não pode levar-me.

_ Está faltando pouco e nós não teremos mais nenhuma parada.

_ No meio do caminho pode haver barreiras. – Interferiu aquele de máscara.

_ O senhor pretende descer na metade do caminho? – Perguntou-lhe a menina.

Não houve resposta. A água já tomava conta de quase todo o vagão e o trem foi diminuindo a sua velocidade.

Os olhos da menina fixaram-se na valise da passageira que deixava escorrer a sua cor de terra, barreando a água que quase lhes encobria os corpos.

O trem parou antes do previsto. A porta da frente se abriu. A passageira desceu batendo a sua mão na ampulheta da menina, derrubando-a. Aquele marcador do tempo foi levado pelo fluxo da água agitada que entrava pela porta traseira, desaparecendo dentro de um redemoinho.

A passageira desapareceu na água, levando o olhar daquela menina dentro da sua valise.

O maquinista fechou as portas e acionou o som. O mascarado seguiu sozinho no vagão.



Rita Lavoyer é membro da Cia dos blogueiros.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

O BARULHO DA CHUVA

imagem : icecrystal0.blogspot.com



Fechei os meus esquecidos olhos
Para ver o barulho da chuva
Escorrendo pelo conduto
Até encontrar-se com o meu tímpano.

Os pingos, batendo em cada parede,
Borbulhavam estridentes
Umas bolhas explosivas.

Eles compõem uma cadência
Fervescente na terra.
É a chuva chorando
E eu vendo-a desaguar.

Em cada vão do complicado caminho,
Vejo lamas enceradas encobrirem
Samambaias que brotaram
Sobre o fertilizante que deixei cair
Do xaxim, quando eu quis adubá-las
No alto da minha sinagoga.
O xaxim morre anafilático, em conta-gotas.

Furou-me as mãos suas fibras secas.
Lavei o meu sangue na água que escorria sobre a lama.
A vegetação bicolor foi, aos poucos,
Revelando a sua cor original.

A chuva cessou e com ela o barulho.
Não havendo mais nada a ver,
Abri os meus olhos e adormeci
Em um sáculo qualquer daquele caminho perdido.

Não querendo acordar, morri asfixiada
Pelas plantas que brotaram em minha saliva.
Vou deixar o meu corpo ali
Para ser consumido pelas águas
Que gerarão novas espécies.

Querendo um martelo penetrar-me a trompa
E viver até a morte,
Lute com a bigorna, a fim de encontrar a saída
Do meu labirinto ou...
Para sempre nego-lhe o estribo
Do que escrevo, mas não digo


RITA LAVOYER

Membro da Cia dos Blogueiros

domingo, 5 de junho de 2011

UMA HISTÓRIA COM NOME DE SAUDADE







Era uma vez quando o meu avô contava histórias, mas na primeira e na segunda vez eu não estava. Na terceira e na quarta ela contou aquela que era uma vez e eu ouvi. Tinha um tal de sei lá o quê. Uma coisa estranha, duas ou três, sei lá. É que eu não entendi direito a da terceira, mas mais ou menos me lembro da quarta.



Ele contava que o pai dele quando contava, naquela época era só na lamparina, aquelas que eram uma vez, ele contava duas a duas, mas eram só duas de cada vez. Dizia que a contação varava a madrugada. A vizinhança era toda freguesa daquelas histórias de era uma vez. Eram muitas vezes a mesma história de era uma vez.



A cada vez que ele, o meu avô, contava aquelas histórias que o pai dele contava eu me encantava um pouco mais, porque já não eram mais a terceira e nem a quarta, mais já era pra mais de um bocado de vez. A cada vez era uma coisa nova que eu ouvia, mas era sempre a mesma história, aquela que era uma vez mas que eu ouvi só da terceira e da quarta e pra mais de um bocado de vez.



Olha, ele fez muito bem o que ele fez. Contou várias vezes aquela história de era uma vez sem errar nenhuma vez. Era tão real o que ele contava, apesar de ser sempre tudo igual, que de dentro de casa, onde ele contava a história, parecia que eu estava lá no quintal.



O lobisomem, bem, tinha um homem que quando o pai dele contava, o avô da minha mãe, que aquele homem não acreditava em lobisomem, mas quando ele contou, o biso, quando ele contou até três, porque no um e no dois o homem estava conversando e não ouviu a contação, correram.




O homem que não acreditava em lobisomem, ficou. De que jeito eu não sei, porque sempre que o meu avô ia contar essa parte ele tinha que pular. Eu queria saber o porquê.



Uma vez quando ele ia contar aquela história de era uma vez, eu perguntei a ele porque ele pulava a parte que conta o jeito que o homem que não acreditava em lobisomem ficou. Ele falou que era uma história real e que lobisomem, bicho-papão e lobo mau não eram coisas para crianças, porque esses bichos fazem muito mal. Eles ficam sempre lá no quintal querendo pegar criancinhas. Meu avô era muito verdadeiro, eu acreditava nele.



Era tudo tão real que até hoje eu acredito que tem coisas feias lá no quintal. Por isso, eu não conto essas histórias e não deixo os meus filhos irem lá fora dependendo da hora. Vai que lá tem lobo mau! Mas eu já falei pra eles, “tipo assim” ... em forma de histórias. Mas eu sou melhor que o meu avô e o avô da minha mãe, porque quando eu conto não sou daqueles que cada conto aumenta um ponto. Eu conto e pronto. Ponto final. Não tem nem mais nem menos e mando logo dormir e é só uma vez.



Ai se não escovam os dentes! Eu aviso, dentro da boca tem muitos bichos. Têm que lavar a boca antes de irem dormir. Criançada de hoje tem uma boca suja! Usam isso, usam aquilo e estão sempre impuras, as bocas. Quando vão dormir estão sempre com medo. Já avisei pra ficarem atentos com o mundo de fora. Por dentro está seguro, tem grades, tem alarmes. São esses filmes que eles assistem. Futuristas, sensacionalistas. Há especialistas nisso: assombrar crianças.
Depois eles crescem e querem fazer igual. Uns o filme, outros a cena.



Às vezes, viram a pura verdade. Nas cidades grandes tem pouco quintal Sei lá, o espaço é pequeno. Vai ver por isso não tem mais histórias, mais vizinhanças. Nem infância. Dá uma saudade... Ai! Que saudade !

“Ai! Que saudade!
Da minha bola biroca, da bira e do meu bodoque e o meu carrinho de madeira. Eu pulava o balaústre pra brincar com o meu vizinho de manhã e a tarde inteira.
Na rua que era terra eu sempre pulava corda.
Só parava de brincar quando mamãe dava um berro.
Dormia com os pés sujos sempre que eu escapava de apanhar de fio-de-ferro.
Vez em sempre eu ficava na casa dos meus avós.
Lá também me divertia. Tinha courinho no feijão, chá quentinho e pão-de-ló.
Meu avô tocava roça e levava os netos para ver a plantação.
A emoção lavava meu rosto quando via meu avô carregando o Cristo na cruz na frente na procissão.
A missa domingueira, macarrão e o matinê. Era o Tarzã ou Mazarope, bang-bang, qualquer filme me divertia porque eu não sabia ler.
Era uma pobreza tão rica e sonhos mil.
A vida era tão boa que os sonhos , hoje, são realidade e a minha infância é tão saudade...”

Antes de dormirem lavem as mãos, pode passar barata. Não põem os pés nas paredes, a faxina é barata, mas não é de graça. Pare um pouco com esse computador, vai lhe dar dor nos dedos. Não assustem o menor que ele fica com medo, não dorme à noite. Desligue um pouco esse celular!!!
Não aprendem nunca! Toda a noite é a mesma ladainha.




Falo uma, duas, um milhão de vezes. Tudo igual, igual ao da primeira vez. Essas crianças não aprendem nunca. Vivem alheias. Não escutam nem na milésima vez, quanto mais na primeira e na segunda.

Imagem: ludy-quadrinhosdisney.blogspot.com

Rita Lavoyer e membro da Cia dos blogueiros de Araçatuba