CLASSIFICAÇÕES EM CONCURSOS LITERÁRIOS

PREMIAÇÕES LITERÁRIAS

2007 - 1ª colocada no Concurso de poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras;

2010 - Menção Honrosa no Concurso Nacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2012 - 2ª classificada no Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2014 – Menção honrosa Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2015 – Menção honrosa no V Concurso Nacional de Contos cidade de Lins;

2015 - PRIMEIRA CLASSIFICADA no 26º Concurso Nacional de Contos Paulo Leminski, Toledo-PR;

2016 – 2ª classificada no Concurso Nacional de contos Cidade de Araçatuba.

2016 - Classificada no X CLIPP - concurso literário de Presidente Prudente Ruth Campos, categoria poesia.

2016 - 3ª classificada na AFEMIL- Concurso Nacional de crônicas da Academia Feminina Mineira de Letras.

2012 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura


quarta-feira, 30 de março de 2011

RECEITA PARA APRENDER A SER LOUCO


Se quiser ser um bom louco,

Tente logo ser normal.

Pegue tudo de esquisito,

Jogue num caldeirão bem grande.

Misture bem até virar mingau.


Acrescente o mingau em tudo que fizer.

O homem virará mulher,

A criança, num instante,

Toma forma de gigante.

Quem for velho sai dançando,

Quem odeia sai amando.


Espalhe sobre o louco

Uma pitada de mel e sal.

Quem experimenta um dia ser louco

Não vai querer mais ser um normal


Se a esquisitice acabar

Arrume-a no seu dia e hora.

Ser um louco bem normal

Manda tudo de ruim embora.


Autor : Hugo Lavoyer - 12 anos


sexta-feira, 25 de março de 2011

PAZ PARA ARAÇATUBA E PARA O MUNDO.

Bandeira da cidade de Araçatuba

A VIDA PEDE PAZ, A PAZ PEDE URGÊNCIA.


Penso ser a guerra inexequível. Mas para torná-la exequível, homens de boa vontade em promovê-la reúnem-se para discuti-la. Pensando-a possível, arregaçam as mangas para promovê-la. Colocam em prática o PODC. Planejam, Organizam, Dirigem e Controlam. Para isso, o homem é capaz de se reunir, fazer amigos para alcançar o que deseja. O homem pode!




E junto aos seus iguais, executam o que planejaram dias seguidos, consumindo-lhes noites de sono, reuniões familiares, refeições saudáveis em horários corretos. Estressam-se, brigam entre si nesse grupo de iguais para verem os projetos no papel concretizando-se em explosões.




Conseguem tornar a guerra exequível. Executam-na, e em seguida executam-nos. Tornam-se ‘experts’ no assunto. Isso é dom do homem.

É impressionante, penso eu, como nós, seres humanos, embora não muito dentro do processo evolutivo para sermos considerados de fato Homens, não temos mais a capacidade de nos indignarmos com o que vemos de errado. Algumas barbáries já são tão comuns entre os “civilizados”, que se destaca mais entre um grupo, o homem que menos se compadece com fatos que, a princípio, deveriam nos chocar.

Quando penso que eu já não estou mais contida no outro, porque ele esgota-se em si mesmo, sinto-me dentro de uma vala comum em que todos somos descartados. Não estamos mais habituados a nos compadecermos com o próximo, porque o meu próximo, de preferência, é o último da fila. E eu não o vejo, uma vez que a fila dobra a esquina. Logo eu já nem sei mais quem é o meu próximo.

Então, que cada um sofra as suas consequências, porque eu também tenho as minhas e cada um por seu umbigo, e o mundo gira como a minha cabeça também gira quando eu a coloco no travesseiro, e a minha consciência não se aquieta, enquanto não me disser tudo apontando o dedo no meu nariz.

Confesso: nem eu mesma aguento o discurso da minha consciência. Afinal de contas, amanhã é outro dia e eu preciso dormir para repor as energias que eu gastei hoje. Mas a minha consciência quer me ensinar que ela não se esgota sozinha e necessita ‘viver’ contida em mim. No que eu lhe grito para ver se ela me esquece: “Sou aprendiz, vai procurar um profissional!”

Então eu chorei, e fui buscar consolo no livro “Fonte Viva”, o abri exatamente na página 321, cujo texto traz o título “Ajudemos a vida mental”. Veja um fragmento dele:

“Não nos esqueçamos, pois, de que abençoada será sempre toda colaboração que pudermos prestar ao povo, em nossa condição de aprendizes. Ninguém precisa ser estadista ou administrador para ajudá-lo a engrandecer-se. Boa vontade e cooperação representam as duas colunas mestras no edifício da fraternidade humana”.

Diante de tão grandioso ensinamento, aprendi que: quando as lágrimas nos vêm e em Deus buscamos ajuda, uma resposta à elas nos será dada imediatamente.

Acreditei nisso e me conscientizei de que tendo eu o dom do aprendizado, as minhas lições apreendidas não devem ser guardadas. Quanto mais eu as libero, mais ainda elas estarão contidas em mim. Assim entendo que, eternamente, devo ser aprendiz para eu não ter medo agir com medo de errar. O aprendiz pode!

Voltando ao assunto ‘guerra’, entendi que aprendizes, meu próximo e eu, se quisermos, conseguiremos reconstruir o que ‘experts’ destroem. Podemos fazer um jardim onde há escombros, para isso, basta arregaçarmos as mangas. No concreto também nasce flor. É utopia? Se a guerra nunca foi, porque a PAZ deve ser assim considerada? Cumpramos bem o nosso papel de aluno na cartilha do bem, porque a nossa vida pede paz, e a paz pede urgência e eu preciso de você que é o meu próximo, e que me completa, para eu encontrar a minha paz.


Salve, salve Araçatuba!



RITA LAVOYER

quinta-feira, 24 de março de 2011

SOU AMANTE.

Há algum tempo, ouvia contar uma história, não sei se lenda ou realidade, assim:

“Um homem esperava os viajantes que chegavam à sua cidade e oferecia-lhes mulheres.
Diziam tratar-se de uma mulher bonita e boa para o serviço em questão, por isso se submetiam ao valor que lhes era cobrado.





Descobriram que a mulher era sempre a mesma e, não muito depois, que ela era a esposa do tal homem que a vendida.

Questionado, o aliciador justificou-se:

_ Ainda é nova, tem muito a oferecer. E também não tem para onde ir.

Enganou-se. Ela encontrou alguém que a amou de verdade, deixou de ser vendida e o marido, desempregado, perdeu a mamata. Furioso, perseguiu-os. Matou a esposa e o amante expondo-os em praça pública. Diante do seu feito, todos os seus súditos o aplaudiram por ter lavado a sua honra."

-------------------

Algo recente me fez relembrar a infeliz história desses amantes, analisando o papel de cada um dentro dela.



O que significa ser amante:

PROCURA-SE UM AMANTE
Autor do Texto: Dr. Jorge Bucay, livro "Hay que buscarse un Amante”



Muitas pessoas têm um amante e outras gostariam de ter um.

Geralmente são essas últimas as que vêm ao meu consultório
para me contar que estão tristes ou que apresentam sintomas típicos de depressão.
São várias as maneiras que elas encontram para dizer que estão simplesmente perdendo a esperança. Elas me contam que suas vidas transcorrem de forma monótona e sem perspectivas.
Elas já esperam o diagnóstico de depressão e a inevitável receita do antidepressivo do momento...
Mas, após escutá-las atentamente, eu lhes digo que na verdade precisam é de um
AMANTE.
“Como é possível que um profissional se atreva a sugerir uma coisa dessas?!”


- pensam chocadas, escandalizadas.
Mas eu explico:
AMANTE é :
“ aquilo que nos apaixona ”
É o que toma conta do nosso pensamento antes de pegarmos no sono
e é também aquilo que, às vezes, nos impede de dormir.
O nosso AMANTE é aquilo que nos mantém
distraídos em relação ao que acontece à nossa volta.
É o que nos mostra o sentido e a motivação da vida.
Às vezes, encontramos o nosso amante em nosso parceiro;
outras, em alguém que não é nosso parceiro,
mas que nos desperta as maiores paixões e sensações incríveis.
Também podemos encontrá-lo na pesquisa científica ou na literatura, na música, na política, no esporte, no trabalho, na necessidade de transcender espiritualmente, na boa mesa, no estudo ou no prazer do passatempo predileto...
Enfim, é "alguém" ou "algo" que nos faz "namorar" a vida
e nos afasta do triste destino de "ir levando".
E o que é "ir levando"?
Ir levando é ter medo de viver.
É afastar-se do que é gratificante.
É observar decepcionado cada ruga nova que o espelho mostra
é se aborrecer com o calor ou com o frio,
com a umidade, com o sol ou com a chuva.
Ir levando é adiar a possibilidade de desfrutar o hoje,
fingindo se contentar com a incerta e frágil ilusão
de que talvez possamos realizar algo amanhã.
Por favor, não se contente com "ir levando";
procure um amante, seja também um amante e
um protagonista da sua Vida.
A psicologia, após estudar muito sobre o tema,

descobriu algo transcendental:
"PARA SE ESTAR SATISFEITO, ATIVO E SENTIR-SE JOVEM E FELIZ, É PRECISO NAMORAR A VIDA."
Dr. Jorge Bucay,

----------------------------------
Eu amo Araçatuba. Sou sua amante, mas não sou oculta.

Só deixa de existir quem já não está mais no coração de ninguém.

Quem ama grita. Ainda que não me ouçam:
Eu amo Araçatuba, porque ela existe eternamente.
Rita Lavoyer




O texto do dr. Jorge Bucay recebi via e-mail.

segunda-feira, 21 de março de 2011

PERDÃO




PERDÃO!

José Geraldo Martinez


Eu nunca te trouxe ao meu mundo...
Perdão, amor meu!
Ao contrário de ti, de arrependimento me inundo:
Sempre me trouxeste ao teu!

E, neste mundo meu,
nunca participaste de fato...
Tão caro de vaidade, de promíscua liberdade
e o teu tão simples e barato!

Enquanto o meu buscava ostentação,
mulheres, dinheiro e conquistas...
Tu me entregavas nas mãos
a pureza de quem, no amor, acredita!

E, neste mundo meu, que nunca te pertenceu,
eu sempre te esquecia...
Enquanto lá em casa tu ainda me esperavas,
até o amanhecer de um novo dia!

Perdão, amor meu!
Entre nós? Fui sempre mais eu:
Acima do bem e do mal!
E agora, que a dor me ignora,
provo deste fel, deste sal!

E tu não deixas e
ainda me acolhe nos braços?
Não sabes que agindo assim,
sem querer, trazes a mim
à tona todos os meus fracassos?

Tu devias me abandonar,
sem qualquer clemência no olhar,
sem qualquer compaixão!
A mão devias me negar,
em vez de quereres me entregar a tua alma e coração!

Matas-me e não sabes!
Por tudo que na vida eu te fiz...
Devias pagar-me na mesma moeda
e tua vingança, ainda assim, não carregas,
de me fazeres um homem infeliz!

Porém...
Assistes-me simplesmente!
A sucumbir de remorso lentamente...
Definhando ao lado teu!

Com todo bem que me tratas,
não sabes que, aos poucos, me matas?
E, nesta hora, é preciso dizer-te ainda enquanto vivo:
Perdão por tudo, amor meu!


"É preciso cautela nas atitudes...
O perdão comumente é aceito!
O tempo é que às vezes não resolve a questão."
(Martinez)
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A PALAVRA PERDÃO

RITA LAVOYER


Meu caro, fizeste-me rara
criatura. Sou o que dizes que sou
por ter-me plantado em teu mundo, tua seara.
Se falas de arrependimento, foste tu, primeiro, quem perdoou.

Meu caro, é rara a liberdade;
quando verdadeira é oculta
ofertando-nos falsa felicidade,
quimera. O seu todo em tristeza resulta.

Acreditar não é a questão
quando se põe às claras os sentimentos,
embora não tenha eu jogado em vão
recolho cartas, as tuas, com dupla face de lamentos.
Perdoar-te, meu caro?
Não sabes o poder que tem a palavra?
Tem força que ela própria desconhece e
cada qual colhemos o resultado de sua lavra.

Se quiseres salvar as tuas
não as semeie em terras improdutivas.
Não as use em vão. Sem mais delongas
poupa-me de tuas narrativas.
Não estou, como pensas, fértil.
Nem tampouco ressequida.
Sou apenas o teu caderno
onde compuseste as tuas histórias.
O meu todo furaste com os teus pontos,
teus pingos, tuas assertivas, sem dó
com a ponta da tua pena.
Deixaste em mim tua assinatura.
Isto não há como apagar.
Cada sinal das palavras traz em si uma razão.
As proferidas por uma boca
que cuspiu em um coração
chegam ao seu destino alteradas em seu DNA.
Haveria de ser diferente com o teu “perdão”?
Não a pronuncie. Penetre-a em mim
para que a genética dela não se modifique
no caminho traçado.
Tua indiferença abriu-me tantas feridas,
escolha uma delas, enfia o teu dedo,
acha a melhor para plantares o que me pedes.
Mas tenha cautela, pois
o tempo nem sempre é o senhor da questão.
Por isso, neste instante me calo.
Se o teu plantio florescer, esteja certo,
não me negarei pronunciá-lo.
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PERDÃO

Hamilton Brito

"Perdão foi feito pra gente
pedir"
Foi assim que o poeta
cantou.
Substantivo que indica
remissão.
Também lenitivo
ou consolo.
Dos teus pecados
tens o dolo....
Compaixão eu tenho
e perdão, não dou.
Cada um faz suas escolhas
e nas minhas feridas
não colocarás o dedo.
O teu DNA morrerá contigo
e isso sim
te dou como castigo.
Transformei-me.
Amoldei-me.
Resignei-me
Suicidei em mim
os sentimentos mais
puros
e do meu dicionário
a palavra perdão
risquei.


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domingo, 20 de março de 2011

CIDADES





Tenho suas ruas em retas

e esquinas alongadas: encontros

e desencontros


o casario aberto ao espaço

cresce em andares onde esqueço

o solo: desço e carrego no colo

o animal que me habita


entre portas e postes

conheço o vento

que passa: o passado

invernado abre a fresta

e a cidade se recolhe


retorno: na casa desabitada em antes

forço a entrada (forço a passagem)

da pessoa que me acompanha

e sangra a desfaçatez: o animal

foge ao colo e se distancia

em semáforos.


(Pedro Du Bois, inédito)


http://pedrodubois.blogspot.com
http://www.veropoema.net/interna.php?page=5&action=show&id=1352



O amigo Pedro Du Bois me permitiu a publicação desta grandeza em meu espaço.

Você que me visita, gostaria que o visitasse também.
O endereço eletrônico do poeta está logo acima.

Muito obrigada

Rita Lavoyer

quarta-feira, 16 de março de 2011

SOU AMANTE...



Há algum tempo, ouvia contar uma história, não sei se lenda ou realidade, assim:


“Um homem esperava os viajantes que chegavam à sua cidade e oferecia-lhes mulheres.
Diziam tratar-se de uma mulher bonita e boa para o serviço em questão, por isso se submetiam ao valor que lhes era cobrado.


Descobriram que a mulher era sempre a mesma e, não muito depois, que ela era a esposa do tal homem que a vendida.

Questionado, o aliciador justificou-se:


_ Ainda é nova, tem muito a oferecer. E também não tem para onde ir.


Enganou-se. Ela encontrou alguém que a amou de verdade, deixou de ser vendida e o marido, desempregado, perdeu a mamata. Furioso, perseguiu-os. Matou a esposa e o amante expondo-os em praça pública. Diante do seu feito, todos os seus súditos o aplaudiram por ter lavado a sua honra."


Algo recente me fez relembrar a infeliz história desses amantes, analisando o papel de cada um dentro dela.


O que significa ser amante:



PROCURA-SE UM AMANTE
Autor do Texto: Dr. Jorge Bucay, livro "Hay que buscarse un Amante”


Muitas pessoas têm um amante e outras gostariam de ter um.

Geralmente são essas últimas as que vêm ao meu consultório

para me contar que estão tristes ou que apresentam sintomas típicos de depressão.
São várias as maneiras que elas encontram para dizer que estão simplesmente perdendo a esperança. Elas me contam que suas vidas transcorrem de forma monótona e sem perspectivas.
Elas já esperam o diagnóstico de depressão e a inevitável receita do antidepressivo do momento...
Mas, após escutá-las atentamente, eu lhes digo que na verdade precisam é de um
AMANTE.
“Como é possível que um profissional se atreva a sugerir uma coisa dessas?!”

- pensam chocadas, escandalizadas.
Mas eu explico:
AMANTE é :
“ aquilo que nos apaixona ”
É o que toma conta do nosso pensamento antes de pegarmos no sono
e é também aquilo que, às vezes, nos impede de dormir.
O nosso AMANTE é aquilo que nos mantém
distraídos em relação ao que acontece à nossa volta.
É o que nos mostra o sentido e a motivação da vida.
Às vezes, encontramos o nosso amante em nosso parceiro;
outras, em alguém que não é nosso parceiro,
mas que nos desperta as maiores paixões e sensações incríveis.
Também podemos encontrá-lo na pesquisa científica ou na literatura, na música, na política, no esporte, no trabalho, na necessidade de transcender espiritualmente, na boa mesa, no estudo ou no prazer do passatempo predileto...
Enfim, é "alguém" ou "algo" que nos faz "namorar" a vida
e nos afasta do triste destino de "ir levando".
E o que é "ir levando"?
Ir levando é ter medo de viver.
É afastar-se do que é gratificante.
É observar decepcionado cada ruga nova que o espelho mostra
é se aborrecer com o calor ou com o frio,
com a umidade, com o sol ou com a chuva.
Ir levando é adiar a possibilidade de desfrutar o hoje,
fingindo se contentar com a incerta e frágil ilusão

de que talvez possamos realizar algo amanhã.
Por favor, não se contente com "ir levando";
procure um amante, seja também um amante e
um protagonista da sua Vida.
A psicologia, após estudar muito sobre o tema,

descobriu algo transcendental:
"PARA SE ESTAR SATISFEITO, ATIVO E SENTIR-SE JOVEM E FELIZ, É PRECISO NAMORAR A VIDA."
Dr. Jorge Bucay,
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Eu amo Araçatuba. Sou sua amante, mas não sou oculta.


Só deixa de existir quem já não está mais no coração de ninguém.

Quem ama grita. Ainda que não me ouçam:
Eu amo Araçatuba, porque ela existe eternamente.
Rita Lavoyer


O texto do dr. Jorge Bucay recebi via e-mail.

EU AMO ARAÇATUBA




segunda-feira, 14 de março de 2011

NESTA INCERTEZA...


imagem: estou frito.terra.com.br




NESTA INCERTEZA...


José Geraldo Martinez



Ah! Como eu queria ter a certeza
que amanhã houvesse um outro dia!
E, ainda antes que o sol nascesse,
eu partisse ao teu encontro...
Porém é longa esta noite de agonia,
que o relógio arrasta o demorado ponto.


Nesta incerteza vivo desta longa espera...
Como se horas representassem anos de expectativa!
E esta dúvida de um feliz reencontro
aumenta o medo, que não me acorde a vida.


É preciso dizer que te amo,
caso tempo eu tenha amanhã...
No ontem eu já disse, está vencido, pronto!
Repetir quisera em meu louco afã...


Nada de anormal nesta angústia minha!
Quem não teme perder um grande amor e
querer vivê-lo por horas inteirinhas?
Como se eterna é a vida ou na ilusão que for!

Esta dúvida revela um segredo:
O incerto é amigo do medo e
o fim é de todo pavor...

Porém, são antídotos que aumentam
e sem querer alimentam...
Ainda mais o amor!


Se tivéssemos a certeza que teríamos tempo
para nos arrepender e da possibilidade de um recomeço num
outro dia, os beijos ficariam para depois, os carinhos, os pedidos de perdão,
a palavra mágica: Eu te amo!
Porém, quem nos garante um outro dia?

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OS PONTEIROS

RITA LAVOYER

O ponteiro que eu trago
Do dia que se foi,
Não marca o passo do crepúsculo
Registrado em cada ruga
Da canseira do meu relógio que
Por acaso, parou no ponto do ocaso.

Não é incerta essa fadiga de espera
Que presume uma fé depois
E puxa das horas, o tempo
Fazendo de um ponteiro, dois.

Dirá o seu amor assim que a canseira esgotar-se
E do fastio, que o tempo fuja e marche.
Encontrará em algum momento, eu.
E a órbita de nossa hora marcará o seu apogeu.


Sua angústia tão normal também é minha.
Nessa duração que parada não desata.
Dá vontade de, no tempo, enfiar as mãos
E rasgar de uma só vez a escuridão.

Ter mais claro o dia que sonhamos vir,
Para os dois ponteiros de horas tão perdidas,
Baterem juntos no relógio desta vida.

No sentido horário seremos horas e minutos,
Acertando o tempo na exatidão do agora
Sobre um o outro, seremos o conduto,
Para o nascimento de uma nova aurora.

-----------------------------------------------------------

AMANHÃ

Hamilton Brito

Amanhã haverá outro dia.
O sol voltará a nascer.
Mas fazer parte ainda da folia
Ah! Isso só Deus pode saber.

Eu não quero viver deste jeito
Na espera que voltes para mim
Te encontro, mato minhas dores,
tiro a apreensão do meu peito.

Dizer que te amo é perda de tempo.
São palavras que vão com o vento
com atos que eu quero te amar.

Pelas rugas que trago na face
Deixadas pelo tempo que foi embora
é que eu digo o que digo agora:
Hoje eu sei que tu és o meu amor
Perdoa-me pelos erros cometidos
recuperemos os momentos perdidos
Vamos juntos, tornar a viver.

Mas se és feliz, continua o teu caminho
ficará vago aqui um cantinho
que com amor, preparei para ti
E com este sentimento marcante
aproveito e digo neste instante:
Se um dia o amanhã não vier
e para nós, o sol não nascer
façamos para Deus um só caminho
vamos para Ele, e bem juntinhos,
Para todo o sempre, nosso amor reviver
-------------------------------------------------------


quarta-feira, 9 de março de 2011

BÁRBIE, UMA BONECA UTILITÁRIA



Dia 09 de março de 1959 foi o dia do lançamento da boneca Bárbie.
No ano passado, quando fui distribuir os convites de aniversário da minha filha, comecei escrevendo dentro dos convites: “ Não deem bonecas Bárbie de presente”.

Ver filha se alimentando apenas de verdura é pra matar qualquer mãe cozinheira.

Não demorou muito, precisei sair para comprar outros convites, porque aqueles precisaram ir para o lixo a pedido da aniversariante.
É um saco mesmo chegar da festa com dezenas de pacotes do mesmo tamanho. Nem emoção a gente sente sabendo que ao abrir o presente vai encontrar a mesma coisa dentro de todos.

“ Essa eu já tenho, né mãe!” Essa, essa, essa também!”

Se o recado tivesse ido dentro do convite a emoção ao abrir os presentes seria bem melhor.

Em casa, quando pegam para brincar é uma cabeça para um lado, corpo para o outro, aqueles fiapos de cabelos loiros, ruivos, pretos brilhantes amontoando no chão, que chega até enroscar as pernas da gente . Passar condicionador nos cabelos delas desembaraça. Nem rastelo, quanto mais pente. A brincadeira acaba sendo curta e sem graça e começam outras brincadeiras com outros brinquedos e bonecas.

As Bárbies são bonecas que qualquer um pode tirar-lhes a cabeça e colocar em outro corpo. As partes são iguais, o material é duro, parece ser feito de ossos . O que as torna diferentes é a cor de cada uma. Se colocar uma cabeça ruiva num corpo negro, cabeça negra em corpo branco não faz diferença nenhuma. Lavar as roupas delas somente com escova de dente.

Enfim, vamos fazer uso dos objetos. Peguei um saco de lixo de 100 litros, enfie as magrelas dentro dele junto com outras gorduchas de pano e rumei para a escola.
Levei para trabalhar com as crianças o valor do diálogo, do silêncio, do abraço e outros que foram surgindo no decorrer da dinâmica. Claro que as bonecas de pano, gordinhas, surtiram mais efeito, atingindo o meu objetivo. Elas enchem os braços de qualquer criança. Além do mais, por mais que tentaram, não conseguiram arrancar-lhes as cabeças, eram fixas aos corpos. As crianças as abraçavam trocando os seus cheirinhos de gente que cada uma trazia em si.

No que, de repente, uns menininhos se engraçaram com as Bárbies. Agarrando-a pela cabeça, um deles foi direto, mirando o olho do coleguinha, com os pés da Bárbie. Se eu não separo a tempo, aconteceria uma tragédia irreparável naquele momento. Muitas conclusões nós, crianças e eu, tiramos daquela aula.

É proibido dar brinquedos com motivos bélicos às crianças. Como dar Bárbies pode, cheguei em casa atônita.

_ Filha, vamos treinar. Traga sempre uma Bárbie ao seu alcance. Se você for surpreendida por um marginal enfie, sem dó e com toda a sua força, os pés dela no olho do bandido.
Os pezinhos delas são lâminas fatais. Esses sapatinhos de bico redondo que elas têm vamos eliminar. Passamos bastante fita adesiva no pescoço delas para não perderem as cabeças quando você for dar o seu golpe de defesa. Entendeu?

Dito e entendido, cada canto da casa uma Bárbie. No carro também. Agora poderemos parar no semáforo com os vidros abertos. Numa investida nós atacaremos de Barbie os olhos dos atrevidos afinal, qual bandido terá medo de alguma coisa que até criança consegue manipular a cabeça?

Já que estão sobrando, vamos distribuir Bárbies aos avós. Uma em cada mão, para quando forem ao banco receberem suas aposentadorias com segurança. Na intuição de estarem sendo seguidos, nem precisa mirar. É só golpear para trás, em qualquer lugar que pegar, o corte será profundo. Ainda que não seja mortal, o assaltante certamente não escapará de uma boa hemorragia. Querendo dar mais utilidades ao brinquedo é só ler ou assistir Alfred Hitchcock .

Como eu sei que só tenho leitores gente boa, não corro o risco de passar essa informação tão preciosa a quem tem segundas intenções. Assim sendo, faça bom uso dessa descoberta. Terá uma boneca em sua defesa e não correrá o risco de ser condenado por porte ilegal de arma.


E viva a Bárbie, boneca que não envelhece nunca, porque é feita de puro fetiche.

Rita Lavoyer

terça-feira, 8 de março de 2011

CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2011






POR FAVOR, SALVE MEUS FILHOS!

O caboclo simples foi adentrando a mata montado em seu cavalo, do lado de um ombro o embornal; do outro o seu radinho de pilha. Cavalgando foi entrando a mata fechada que de céu nada se via. De cima pra baixo, mata. Do lado de um, mata; do outro, mata também. De frente pra trás a mesma coisa como na visão de um sinal da cruz. Tudo de natureza se pegava naquele caminho, menos a sintonia de um radinho de pilha.


Apeou do animal pra esticar os ossos que rangeram. Ouviu chiar o objeto como que querendo pegar. Pensou ser mau contato pelo movimento da descida. Levou o dedo no botão para desligar o que este ligou sem ter sido ligado. Puxando o animal pelas rédeas alcançou um igarapé. Encostou-se em um barranco sob a sombra das espécies, enquanto o animal sossegava o seu cansaço.


O rádio dava sinal na chiadeira que queria lhe falar. Sintonizou o aparelho, deixou cair as pálpebras e ali adormeceu. Da estação sintonizada o cavalo pode ouvir o ponteado da viola e uma canção que lhe chamava:


“O homem perdeu a noção do que é pôr os pés no chão e poder sentir a terra...”


Na intuição de animal avistou aquele “seo” dormindo, mordeu-lhe as botinas arrancando-as dos pés. Aquele nem sentia enquanto que o rádio cantava:


“Vive só pensando em ouro, se mata pra achar a prata, mas nada disso lhe cobre a tentação. A tentação é grande...”


O “seo” do cavalo dormia e o animal dobrou as pernas como que querendo se deitar, mas não o fez. Olhou de um lado pro outro e sentiu um cheiro de mato, um cheiro de terra, um cheiro de água, um cheiro de mundo que não se ouvia há muito tempo. Um roncava e outro ouvia:


“Quer mexer no natural, transformar em artificial e represar o rio que corre...”


O animal, num salto só, pulou na água gelada que ali corria. Sacudia-se todo tentando molhar aquele “seo” encostado na natureza. O gelo da água não abaixava a motosserra que saía daquele sono. O cavalo nada, nada, e nada da motosserra abaixar o som, e o rádio:


“Pra lucrar com o egoísmo põe cerca no que Deus fez e chama isso turismo.”


O cavalo ergueu as patas pro ar e relinchou um pedido de socorro. Da água veio à terra e começou uma escavação sem tamanho. Era terra que voava atingindo o espaço, lugar que o homem quer descobrir sem antes conhecer o seu vizinho. A cova já estava no ponto e a natureza cantava no rádio em que o cavalo ouvia:


“Quase não tem mais jardim e qualquer pedaço de chão, ali mesmo vira prédio.”


A motosserra ligada daquele ‘seo cavalo’ o fez mais forte que os coices que o chamavam:


“Geração de depressão, não tem mais verde nos olhos, estão morrendo de tédio.”


Empurrou aquele motor para o buraco, mordeu a alça do radinho e, em seu galope, atravessou aquela mata dando de cara com a rua de pedra preta. O tráfego desumano desnorteou o animal que não encontrava nenhuma beira naquela eira fria que o agitava. Foi quando quis pegar o rumo da volta, mas a ele tentaram prender e no corre-corre, foi que foi, ficou todo engastalhado e engasgado com o rádio que ele engoliu:


“Por favor, salve meus filhos! Por favor, salve meus filhos!”


_ Cavalo que fala? Nossa! – Espantou-se a multidão. A voz interior do animal continuava a canção:
“Por favor, salve meus filhos! Por favor, salve meus filhos!”


_ Está possuído! -Era só o que diziam e, em meio aquele ambiente, a falação rolou geral, um não entendia o outro e, na confusão, o tiro foi fatal.


Tiraram a pilha de um animal tão inocente, mas a natureza dentro dele continuou toda estridente:
“Por favor, salve meus filhos! Por favor, salve meus filhos!”


E que vinha, e que vinha bem lá adiante com as botinas em suas mãos aquele “seo”, o caboclo lá do buraco. Adentrou o povaréu e caiu sobre aquele tão fiel, esfacelado ali no chão.


_ Por que saiu de perto de mim? - era só o que gritava.


Encostou rosto com rosto e pode ouvir assim:


“Por favor, salve meus filhos! Por favor, salve meus filhos!”


Abriu a boca do amigo e de lá pariu o rádio que era pura chiadeira. O animal foi recolhido, o homem seguiu seu rumo com o embornal e seu radinho abafando o gemido daquela parição. O povo, cada um no seu mundinho, no corre-corre do dia a dia de uma vida rotineira, sem ver jardim nos olhos, sem sentir terra nos pés. Cada um no ambiente de sua própria natureza, fazendo só pra si esquecendo de si mesmo nessa vida em extinção, em meio a muitos que, tampouco sabem que a criação fala, canta, grita e geme:


“Por favor, salve meus filhos! Por favor, salve meus filhos, para eles serem inteiros neste meio que os ambienta.”


RITA LAVOYER

domingo, 6 de março de 2011

SOU ARAÇATUBA. SOU MULHER!




SOU ARAÇATUBA. SOU MULHER!

Que negócio é esse de “Visite Araçatuba antes que acabe?”

Sou velha, não! Ainda que em frangalhos, estou vivinha da silva. É sério! Já vivi nas unhas de raposas velhas para poder sobreviver e no meu corpo trago os rasgões de suas garras.
Entreguei-me de graça por amor, confiança em futuros melhores. Mas é sempre a mesma história. Quando sugam o caldinho da gente, bagaço quem é que vai querer? Tem sempre uns e outros querendo se agarrar aos meus fiapos. Agarraram-me de um jeito que ando até com dor nas tetas de tanto que me sugam, os fdp. Alguns são meus filhos, nasceram aqui, outros me adotaram, e eu também a eles.

Fazer o quê? Mãe é mãe. Nunca abandona um filho seu. Querem continuar pendurados, continuem. Afinal de contas não há corpo que preste que não tenha parasitas para perturbá-lo.

Tem sempre um filho e outro servindo-me de anti-helmíntico, meu suporte. Mas bichadas não acabam nunca. Apertam-se as mãos, tapinhas nas costas logo, quando me alimento estou toda infectada de novo, afinal, não posso dizer: Vou lavar as minhas mãos. Quantas interpretações maledicentes não fariam sobre essas minhas palavras?

Dizem que estou abandonada. Nem tanto ao mar, tampouco à terra. Convenhamos! Dizer isso é desprezar os meus filhos que jamais deixaram de lutar por mim, os que me tocam de verdade, pra frente, sem serem percebidos, não batem no peito, em público, para que todos saibam que foram eles que inventaram a roda da carroça. E por falar em roda...

Posso estar caindo aos pedaços, minha silhueta já não agrada mais (como é triste dizer isso), as minhas pernas estão cheias de celulites, parecendo buracos de asfalto. Será que com esse aspecto conseguirei um amante (já que esposos eleitos só me ferram), que me pague uma drenagem linfática, uma lipoaspiração, ou uma plástica que seja, aceito qualquer coisa. Me submeto às licitações, pregões, concorrências ou sei lá mais o quê que me possa investir. São tantos os problemas subcutâneos nas minhas vias de fato que quase me planto dentro deles. Nossa, fui tão profundo que até pude ver as ossadas dos caingangues.

Para eles não importava o meu nome, não parasitavam. A vida como eles viviam em mim era o que importava. Seus pisados modelavam o meu relevo, concretizando minha paisagem. E aconteceu de vermelhos e brancos, num colorido mesclado, enfrentarem-se para chegar o trem. Mas foi bom o trem entrando e saindo em mim, proliferei.

Já não tem mais o trem, mas ainda preciso pôr muitas coisas nos trilhos, porque, ainda que encraterada, eu sou mulher, e mulher que se preze não desiste de nada. Das valas que me valem posso ver as coisas de baixo pra cima, e o que saltam-me aos olhos fazem me sentir primata, e para algo que me resolva, acredito que a solução é cortar cabeças, esquecer-me a estirpe e atacar com canetadas e porretes os mandos que desordenam o meu organismo.

Ainda que nesta batalha não sobre nada de mim, vou à luta porque eu preciso sobreviver.
Nesse paradoxo, o meu todo preencherá minhas chagas, para que sobre minhas feridas cicatrizadas seres possam residir-me. Verão, em qualquer estação, uma cidade renascente, com outras perspectivas, ainda que advinda da minha falência.

O que quiserem que eu seja, sou! Mas antes mesmo de eu ser Araçatuba, eu já sabia que nascera Mulher. Por isso tenho identidade. Não a perdi, eu sou dona dela e ninguém me tira esse direito.
Dêem a mim outra feição, conduzam-me para novos valores, posso até receber outros títulos e padrões. Ainda que me inventem outra, me clonem, a matriz será sempre a única, eu mesma - Araçatuba! E essa nova imagem, como outras tantas que eu já refleti, virá com um papel amarelado pelo tempo indicando a minha identidade:

“ Araçatuba, Cidade que não desiste porque é da raça de Mulher.”

Portanto, visite-me quando quiser. Eu, jamais, pela minha raça, me deixarei acabar.
Sou Mulher. Sou Araçatuba!
Rita Lavoyer