CLASSIFICAÇÕES EM CONCURSOS LITERÁRIOS

PREMIAÇÕES LITERÁRIAS

2007 - 1ª colocada no Concurso de poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras;

2010 - Menção Honrosa no Concurso Nacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2012 - 2ª classificada no Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2014 – Menção honrosa Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2015 – Menção honrosa no V Concurso Nacional de Contos cidade de Lins;

2015 - PRIMEIRA CLASSIFICADA no 26º Concurso Nacional de Contos Paulo Leminski, Toledo-PR;

2016 – 2ª classificada no Concurso Nacional de contos Cidade de Araçatuba.

2016 - Classificada no X CLIPP - concurso literário de Presidente Prudente Ruth Campos, categoria poesia.

2016 - 3ª classificada na AFEMIL- Concurso Nacional de crônicas da Academia Feminina Mineira de Letras.

2012 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - 13ª classifica no TOP 35 na 4ª semana de abril de microconto Escambau.

2017 - Classificada no 7º Concurso de microconto de humor de Piracicaba.


quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

FIM DO TEMPO DO ANO




Todo início tem um fim
Todo fim um recomeço
Não meço a extensão
Entre um e o outro
Mas tento alcançar a duração
Do tempo vivido
Sem medidas
Todo recomeço tem
A medida de um espaço
A face daquele
Tento ocupar
Findando-me nele
Com comedimento
Em toda extensão da palavra
Toda extensão tem um ramal
Enfio-me em suas fieiras
Entrançando-me provas
Nos seus meios e afins
Difunfindo-me
Como símbolo de liberdade
Intemperada
Toda duração tem o seu
Intervalo de idade
Assim precisa acabar
Para uma nova contagem
Do conteúdo acumulado
O que era continua sendo
Na cútis das datas recontadas
Dá tempo ao tempo
Um presente
Há o tempo do fim
Não coloque pontos em
Nenhum ponto do tempo
Para não chegar ao
Fim do tempo
Com respostas
Sem perguntas
Coloque nele apenas etapas
Para contar
Vivendo-as tudo
De novo
Renovando
O velho
No novo
Que acaba de começar

Rita Lavoyer


quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

FELIZ NATAL




Feliz Natal

José Geraldo Martinez


Se fosse eu o teu presente,
ninguém estaria mais contente ...
que eu!
Se numa caixa coubesse o amor,
com laços de fitas de cor,
seria todo teu!
Dar-te-ia o infinito do céu que nos cobre ...
O melhor de mim, meu sentimento mais nobre, o amor.
Todas as canções cantadas, pelas noites iluminadas do Senhor!
A ternura de todo este dia,
onde o amor impera...
Do Natal, toda magia da criança na espera!
Minha alma missal, aberta a santa ceia...
sirvo-me, de corpo e alma,
ao teu amor que me anseia!
Nesta data, em plena passagem...
derrama em mim teu amor selvagem!
O amanhã é ignorado...
Faze-me, de todos, o mais amado!
O Ano Novo principia...
na incógnita do futuro!
Enquanto for hoje, ainda Natal...
Faze-me amor animal!
Nosso último pecado do ano.
O amanhã? Lição ignorada!
Se certos ou errados?
Pouco importa...
Feliz Natal, minha amada!

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FELIZ NATAL



RITA LAVOYER


Havia tempo que pedia
Mas o tal Papai Noel não vinha.
Queres mesmo saber?
Fatiguei-me de panetone, amigo secreto,
Assados e ritual obsoleto.
Se te falta um presente
dou-me inteira para ti.
Tal qual a estrela cadente
faça-me o teu pedido,
que anunciarei o teu novo porvir.


Sacia-te comigo na tua ceia.
faça-me, Agnus Dei,
o teu prato principal.
Degustando cada pedaço meu
renascerei ímpar para compor-me
tua virtude teologal.
Não mate o teu peru na véspera.
Venha com ele vivo, meu regalo,
antes da missa do galo.


Jingle Bells! Jingle Bells!
Toque-me teu sino, nada pequenino,
meu homem do céu!
Mas não venha de rena...
Venha assim, de repente,
que tudo te espera.
Nada de chaminé, entre pela porta da frente.
Nesta noite sem quimera
esqueça os espumantes.
Nas tuas veias serei heroína;
do teu altar, amante.
Ungir-te-ei com o meu mel e o meu sal,
cristalizando onde minha boca tocar.
Depois rezo de mãos dadas contigo
quando a meia noite chegar.
Farei dela o único momento do mundo e
sem nenhuma veste,
entregar-me-ei a ti.
Na minha manjedoura
repousa, quando chegar a hora,
menino animal, o teu potencial.
Até que rompa a última corda
da harpa celeste,
quebrando as rotinas,
perpetuando-nos espécies natalinas.
É Ano Novo a cada minuto,
façamo-nos dele o fruto absoluto
numa ingestão real de vinho e pão,
para depois não chorarmos,
não olharmos para trás
arrependendo-nos do que não fizemos
nesta santa comunhão.


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FELIZ NATAL

HAMILTON BRITO

Os carrilhões estão a tocar.
Em cada coração,
uma esperança se renova.
Ah! fosse Natal todos os dias...
Não, não quero receber o infinito.
Tampouco quero o melhor de você.
Apenas, que entre nós
o amor imperasse.
E que todos os dias
você falasse:
_ Querido, como eu te amo
e te quero.
Todos os dias seriam
o meu Natal,
meu Ano Novo.
E é este o presente que me falta.
Se quer mesmo dar-se
para mim,
não fique só na boa intenção.
Não seja apenas estrela cadente,
brilhando pouco no meu céu.
Seja um astro mais permanente...
Tal qual aquela dos Reis Magos,
Mostre-me o caminho
para os seus braços
para eu brindar com todos os néctares
depositados nesse corpo seu.
Querida,
como fazê-la o meu Agnus Dei?
Ele foi para todos nós
a salvação.
E você, qual oásis em pleno deserto,
é miragem, engodo, enganação,
fazendo dos meus natais,
dias de cão.
Jamais a degustaria em pedaços.
O seu corpo é obra divina
e eu te amaria por inteiro
ouvindo os jingle bells
nos sussurros seus.
Mas quando a meia noite chegar,
como sempre acontece,
estarei sozinho
e comigo, nada...nenhum espumante
só porque você, sonhada amante,
em outra taça
estará a borbulhar.
Assim,
como fazer de você fruto absoluto?
Sabe, é isto que me deixa puto...
Bons votos e promessas
de natais.
Um segundo de amor
que você me desse,
em pouca
ou quase nenhuma comunhão
faria de mim o mais feliz de todos
os homens
e pode crer,
amor da minha vida,
mesmo que eu passasse
no inferno
a eternidade,
digo-lhe de verdade:
arrependimento?
Ah! teria não.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

BULLYING, MAIS UMA VEZ!





Folha da Região B 3, 14/12/2010 “Jovem faz crianças reféns na França por cerca de 4 horas”.

Chamou-me a atenção : “...o jovem estava em tratamento para depressão, mas não vinha tomando seus remédios nos últimos dias.” - “Não se sabe quais são os motivos do adolescente.”


A própria matéria responde as causas. Não podemos ler uma notícia dessa e tratá-la como um fato isolado, uma vez que tragédias dessa natureza vêm ocorrendo em todas as partes do mundo.


O adolescente não chegou àquela escola por acaso. Ele planejou o acontecimento. O que torna esse ocorrido diferente das demais tragédias envolvendo sequestros dentro de escolas é que o final, felizmente, saiu a contento da vida.
O sequestrador não tinha uma arma de verdade nem solicitou uma para cometer o suicido, dando ao caso um desfecho contrário aos outros, em que adolescentes entraram nas escolas, mataram e depois cometeram suicídio.


Certamente, esse adolescente de 17 anos que entrou na escola e fez crianças reféns na França é um caso típico de vítima de bullying. Não será surpresa os noticiários informarem daqui a alguns dias que o adolescente sequestrador não apresentava transtornos mentais e que também não havia passado por algum problema que o levasse à ação criminosa.


Para quem eles iriam contar as suas angústias, exteriorizar as suas revoltas? Vítimas de bullying não desabafam, sofrem em silêncio, reprimem suas dores e vergonhas por serem humilhadas em um ambiente onde há testemunhas, mas que não fazem nada para socorrê-las, razão pela qual a escola é o palco escolhido para esses tipos de tragédias.


As vitimas de bullying sofrem de roubos das mais variadas naturezas. Roubam-lhes o tempo, a alegria, a esperança, a dignidade, a identidade, a autoestima, a vontade de prosseguir, de viver. Como que uma criança, com essa carga roubada não vai cair em depressão?


Quer saber o porquê desses roubos? Por que há uma vítima para poder haver um agressor ‘roubador’ de energias? Por que para ser considerado bullying as agressões devem ser repetitivas? Por que a repetição, a conexão entre ambas as partes, os roubos e a depressão? Somos energia ou não?


Tomara, acontecimentos desta natureza, embora já tenha havido dois casos no Brasil, nunca venham a acontecer em Araçatuba, e torçamos para que nosso país, como os demais, comecem a se importar mais com a infância e a juventude. Como afirmava nossa imortal professora araçatubense Neyde Simão da Matta: “É preciso estar sempre perto da juventude, mesmo que seja para errar junto com ela”


Para que nossas crianças tenham uma infância mais digna e substanciosa abracemos, pais, dirigentes escolares e toda sociedade, a Campanha de Ações Construtoras de Cultura de Paz em Araçatuba e Região.


Nos fóruns de discussões respostas aparecerão. A Paz está em nossas mãos, estendamos, pois, os nossos braços ao próximo. A vida pede Paz, a Paz pede urgência.



Fatos trágicos ligados ao fenômeno bullying:


AMÉRICA DO NORTE
1997- cidade West Paducah, Kintucky: um adolescente de 14 anos matou a tiros três companheiros da escola, após a oração matinal, deixando mais cinco feridos;
1998- Jonesboro, Arkansas: dois estudantes de 11 e 13 anos, atiraram contra sua escola, matando quatro meninas e uma professora.
1998- Springfield, Oregon: um adolescente de 17 anos matou a tiro dois colegas e feriu mais vinte;
1999, Littleton, Colorado: dois adolescentes, de 17 e 18 anos, provocaram a tragédia de Columbine. Com explosivos e armas de fogo, assassinaram 12 companheiros, um professor e deixaram dezenas de feridos. Em seguida suicidaram-se.


Alemanha
1999 – um estudante de 15 anos matou a facadas uma professora;
2000 : um aluno de 16 anos matou a tiros o diretor de escola e depois tentou suicídio;
2001 ; um jovem de 22 anos matou a tiros o chefe da empresa; depois se dirigiu à sua ex- escola, matou o diretor e suicidou-se com explosivos;
2002 : um jovem de 19 anos chacinou 16 pessoas: duas garotas. 13 professores, uma secretária e um policial que atendeu o chamado de emergência; em seguida suicidou-se.


ARGENTINA
2004: após a execução do Hino Nacional, um adolescente de 15 anos matou a tiro 4 colegas, ferindo mais cinco. Foi preso em seguida.

BRASIL
2003: Taiúva –SP: um adolescente de 18 anos feriu 8 pessoas: 6 alunos, um funcionário e a vice-diretora. Suicidou-se.
2004: Remanso-Bahia: um adolescente de 17 anos matou a tiros um colega de 13 anos, a secretária do curso de informática e feriu 3 pessoas. Não cometeu suicídio porque foi desarmado.


Rita Lavoyer

QUASE TRAGÉDIA EM ESCOLA NA FRANÇA


quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

MEDO ESDRÚXULO DO ALÉM TÚMULO





Helbergarda morria de medo do além túmulo. Desesperada por saber que iria conhecê-lo em qualquer época, matou-se.


Sempre trouxe a dúvida do por que um pulso cortado levava à morte e um braço amputado não.


Era exigente, gostava de serviços bem feitos.

A porta e a janela do seu quarto estavam trancadas pelo lado de dentro. Arrombaram-nas.


Encontraram-na morta, deitada na cama, com uma das mãos amputada, e outro braço com o pulso cortado até poder ver o osso, ao lado de um machado. Para igualá-la, arrancaram-lhe a outra mão também. Ginástica desumana.


Enlouquecia ao ver o seu corpo, sem as mãos, sendo maquiado para repousar eterno na urna.


Seus olhos arregalados não eram vistos, nem ouvidos. Agonizava-se para dizer, silenciosamente, o seu medo naquela morava para sempre.


Coroas chegavam. O vigário recusou-se a benzer o corpo.


Helbergarda foi... vendo... Viu-se enterrada. O medo por estar ali a consumia inteira.


Tamanho desespero fez mover os seus braços sem mãos. Com os ‘toquinhos’ que lhe sobraram batia na tampa do caixão, trancado pelo lado de fora, fazendo-se ouvir na câmara ao lado.


_ Hei! Quem está ai? Aquiete o seu espírito. Pare de fazer barulho que eu preciso descansar em paz.


O medo por ouvir a reclamação do vizinho morto, ao lado, fez o líquido paralisado daquele corpo de Helbergarda correr freneticamente.


Esquecendo-se das boas maneiras, dentro da urna Helbergarda urinou.


_ Hei! Vizinho novato, morreu do quê?


Sua condição piorou quando percebeu-se tratada no masculino. Esquecida, correu com suas mãos até o seu sexo, não o alcançou, não as tinha. Os seus braços mutilados chegavam até a altura do umbigo. Gemeu não saber mais sua identidade.


Aterrorizada, depois da pergunta do vizinho, não houve como controlar os agitos do seu corpo. Helbergarda tremia debaixo da terra.


_ Quer parar de chacoalhar aí, seu engraçadinho! Pare agora! Senão vou até ai e te mato!


O medo de Helbergarda tornou-se atômico, ao ponto de ela explodir.


Seu corpo, num súbito, esparramou-se no espaço, levando consigo todo o material que a envolvia, enquanto a sua alma moribunda encolhia-se na cova, tentando agarrar-se aos vermes.


Rita Lavoyer