CLASSIFICAÇÕES EM CONCURSOS LITERÁRIOS

PREMIAÇÕES LITERÁRIAS

2007 - 1ª colocada no Concurso de poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras;

2010 - Menção Honrosa no Concurso Nacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2012 - 2ª classificada no Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2014 – Menção honrosa Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2015 – Menção honrosa no V Concurso Nacional de Contos cidade de Lins;

2015 - PRIMEIRA CLASSIFICADA no 26º Concurso Nacional de Contos Paulo Leminski, Toledo-PR;

2016 – 2ª classificada no Concurso Nacional de contos Cidade de Araçatuba.

2016 - Classificada no X CLIPP - concurso literário de Presidente Prudente Ruth Campos, categoria poesia.

2016 - 3ª classificada na AFEMIL- Concurso Nacional de crônicas da Academia Feminina Mineira de Letras.

2012 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura


quinta-feira, 30 de julho de 2009

LOUCURA?

Na loucura da minha voz
tente botar silêncio
com o céu da tua boca.
Na loucura da minha nudez
metralhe-me com a potência do teu lírio.
Se louca estiver,
embriagada de delírio,
cala-me a boca
se for homem!
Durante a minha loucura
aproveite-me,
me faça pura.
Durante a minha pureza,
aproveite-me,
me faça boca.
Dentro da minha boca
embriague-se de loucura
e conheça o céu do meu silêncio.


Rita Lavoyer

A ARTE DE FINGIR

Vou fingir que faço versos

vou fingir que estou aqui

vou fingir que lhe tenho carinho

vou fingir que não o conheço e

não me lembro de você.

Vou fingir que não o idolatro

e que não o endeuso para não

poder morrer.

Vou fingir que sou poeta

para fingir que dói menos.

Vou fingir que está calor

para buscar o aconchego

no agasalho do teu corpo.

Vou fingir que é real

o que sou toda mentira.

Vou fingindo e retalhando as verdades

para que cada parte dela

complete mais meu fingimento.

Rita Lavoyer

quarta-feira, 29 de julho de 2009

AMOR, VERBO CONJUGÁVEL

Por que, Senhor, não escutou
quando eu te gritei?
Está cansado de praticar
a ação do salvamento?
Tenha pena deste traste que
aprendeu a amar.
Eu cumpri com os teus dez mandamentos
hoje só recebo sofrimento e abandono...
Por que amar é verbo inconjugado?
Hã? Pode me explicar?
Será que o Senhor o quis substantivo
para ser apenas mais uma coisa
para o homem consumir?
Ou ficou com medo que aprendêssemos
a conjulgá-lo e saíssemos por aí
praticando ação de amar?

Hã? Pode me explicar?

E se eu Lhe disser que amor é verbo conjugável?
Quer que eu Lhe explique, Meu Senhor?

Eu amorto quando estou só
Tu amortes , Senhor, dela ressuscitou
Ele amorte conhece porque comigo não está
Nós amortamos quando não estamos juntos
Vós amorteis , Pai e Senhor, jamais sentirão
Eles amortem a minha dor por não poder conjugar amar.

Viu só, meu Senhor, da conjugação do amor nasceu
a palavra morte.

Está vendo como eu aprendi?

Somente com a morte o amor pode ser conjugado.

Rita Lavoyer
Poeta é quem transforma as durezas da vida em saberes mais saborosos de sentir.

A poesia não está somente nas palavras escritas, faladas como poeta.

Poeta não é somente aquele que autentica o papel com a sua tinta, e que compõe, e que declama...

O poeta é a alma do corpo da poesia. Qualquer gesto de carinho é poesia.

O poeta, por onde quer que ande, deixará sempre sua essência no ar.

Eu sou poesia porque tudo em mim é harmonioso. Sou inspiração.

Somos inspiração do maior Poeta do mundo – “O Criador”.

Logo, estou em harmonia com o universo que é o maior poema que já foi escrito.

Sou eu mesma.
Rita Lavoyer

LEITURA

A LEITURA É O CAMINHO QUE NOS DISTANCIA DA INCULTURA.
Rita Lavoyer


LEITURA É O EXERCÍCIO QUE FORTALECE OS MÚSCULOS DA MENTE.
Rita Lavoyer


SE PODES OLHAR, ENXERGA.
SE PODES ENXERGAR, LEIA.
SE PODES LER, ENSINA.
SE PODES ENSINAR, EDUCA.
SE PODES EDUCAR, ACOLHA.
SE PODES ACOLHER...
AGRADEÇA AO CRIADOR OS DONS COM OS QUAIS FOSTE AGRACIADO NESTA PASSAGEM.
Rita Lavoyer

quinta-feira, 9 de julho de 2009

NEM TUDO QUE É COMESTÍVEL É COMÍVEL

Ele abriu a geladeira e só pôde ver duas garrafas com água e uma panela com alguma sobra de comida. Sentiu vontade de agarrar uma garrafa, mas o ar gelado que saia do interior da geladeira o fez tossir, fazendo-o desistir da investida. É asmático e nada de gelado conforme o médico o advertira. Usa sandálias franciscana com meias, sempre as mesmas, com os bicos molhados de urina. Na sala, avistou a companheira. É velho, mas mais velho ainda se sente ao vê-la ali, naquela cadeira, fazendo hora-extra na vida.
Ficou a observá-la. Esforçou-se, mas ela não o apeteceu. Enfiou uma das mãos no bolso da calça de há vários dias usada e tirou algum trocado. Contou-o.
Saiu silenciosamente e tomou o rumo do supermercado. Caminhava lentamente, parava apenas para escarrar entre uma esquina e outra. Chegou meio que perdido, feito cachorro sem dono e adentrou o local pouco movimentado naquele horário de sol a pino. Passava entre os corredores e punha-se a observar os produtos das prateleiras. Não os tocava. Observava-os apenas. No açougue, pôs-se diante das carnes embaladas, vermelhas e vivas àqueles olhos velhos azuis. O frio do ambiente o fez tossir e logo saiu do local, sem se dar conta estava na feirinha. Desnorteou-se perante a lembrança de há quanto não fazia a feira. Saudade latente.
Avistou a maçã. De pele brilhosa, cor vermelha de puro viço, sabor de maçã! Foi em direção a fruta, ela o convidara àquele apetite. Quis tocá-la, mas hesitou. Compôs-se e, delicadamente, aproximou-se para cheirá-la. Cheirava-a e extraia dela o gosto da maçã. Saboreava aquela visão. Satisfez-se. Em outras bancas buscava algo mais ao seu sabor. Tocou, enfim, a mexerica; a sentiu grossa, flácida e passada. Devolveu-a junto com as demais e passeou entre os legumes: cenoura, pepino, mandioca... Diante deles, ficou estático, e os consumidores o perceberam ofegante naquela situação. Ao notar-se à vista de todos, pegou vários pepinos como que querendo comprá-los, mas os devolveu tão logo saboreou – lhes o cheiro.
Passou a frequentar o local todos os dias de sol a pino e a exercer o seu voyeurismo, nada a ver com LAVOYERISMO, que é comer a carne e roer o osso, graças a Deus!
Todos os dias, após o seu ritual na feirinha, o velho passa na confeitaria, pega uma bandeja de maria-mole e sai feliz. É o que pode pagar, é o que consegue comer.
Texto publicado no Jornal Folha da Região em 09/07/2009.