CLASSIFICAÇÕES EM CONCURSOS LITERÁRIOS

PREMIAÇÕES LITERÁRIAS

2007 - 1ª colocada no Concurso de poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras;

2010 - Menção Honrosa no Concurso Nacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2012 - 2ª classificada no Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2014 – Menção honrosa Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2015 – Menção honrosa no V Concurso Nacional de Contos cidade de Lins;

2015 - PRIMEIRA CLASSIFICADA no 26º Concurso Nacional de Contos Paulo Leminski, Toledo-PR;

2016 – 2ª classificada no Concurso Nacional de contos Cidade de Araçatuba.

2016 - Classificada no X CLIPP - concurso literário de Presidente Prudente Ruth Campos, categoria poesia.

2016 - 3ª classificada na AFEMIL- Concurso Nacional de crônicas da Academia Feminina Mineira de Letras.

2012 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura


quarta-feira, 10 de junho de 2009

COM VONTADE DAQUELA DATA.


Ela espera ansiosa por aquele “parabéns pra você”.
Começou a achar que nada mais aconteceria, nem antes e nem depois daquela “data querida”.
Quase não dormia; adormecia apenas, por medo de não acordar e viver “muitas felicidades”. A ansiedade atormentava-lhe também o estômago. Via e sentia cada guloseima sendo feita para a ocasião dos “muitos anos de vida”.
Refeições já não lhe desciam. Reservava o lugar para o cheiro do que preparavam. Com os olhos já secos pela insônia e a inanição atormentando-lhe as vísceras, começou a delirar e, num surto, quis atacar os belos doces que enfeitavam uma mesa da sala onde receberiam muitos convidados para aquele esperado “ é pic! é pic!”.
Foi abordada quando levava os dedos àquilo que lhe cheirava tão bem aos olhos. Atordoada com um ‘croc’ que levou na cabeça, não entendeu as reprimendas da mãe que a alertava: “não é hora! não é hora”.
Ela esperava há muito por aquele “rá-tim-bum!” Assistia ao movimento da casa, os empregados em roda-viva e a aflição da mãe que não desgrudava do telefone, gritando com alguém do outro lado porque a roupa da criança ainda não havia sido entregue. Na cozinha, montavam o bolo com muitos recheios que lhe escorreram pelo canto da boca. Levou os dedinhos mais uma vez e outro ‘croc’ ela saboreou. Dessa vez não escapou de um castigo de há dias no quarto.
O corre-corre continuou porque a festa para aquela data estava planejada e nada poderia sair errado.
A casa estava decorada com os mais variados enfeites infantis. As mesas, belamente enfeitadas, confluíam para outro salão igualmente abrilhantado para o aniversário daquela criança. A roupa, minuciosamente desenhada e bordada, enfim chegou. Uma serviçal a levou para o quarto onde a criança jazia o castigo por ter querido saborear o bolo do seu aniversário antes dos parabéns. Perguntaram-se qual a razão daquilo.
Os convidados foram chegando e amontoando os presentes que não sabiam a quem entregar enquanto a mãe lamentava-se não saber nenhuma anomalia da criança.
Um bolo indesejado destoava em meio aos enfeites, enquanto velas acesas queimavam a felicidade atravessada de vontade de saborear as coisas daquela festa. Convidados assistiam àquela criança, degustando os quitutes, lamentando aquela data.
PS. Pais, esta minha história, hoje, é ficção, mas se eu não acordo a tempo, viraria realidade.
Texto publicado pelo Jornal Folha da Região em 10/06/2009.