CLASSIFICAÇÕES EM CONCURSOS LITERÁRIOS

PREMIAÇÕES LITERÁRIAS

2007 - 1ª colocada no Concurso de poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras;

2010 - Menção Honrosa no Concurso Nacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2012 - 2ª classificada no Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2014 – Menção honrosa Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2015 – Menção honrosa no V Concurso Nacional de Contos cidade de Lins;

2015 - PRIMEIRA CLASSIFICADA no 26º Concurso Nacional de Contos Paulo Leminski, Toledo-PR;

2015 - Recebeu voto de aplausos pela Câmara Municipal de Araçatuba;

2016 – 2ª classificada no Concurso Nacional de contos Cidade de Araçatuba;

2016 - Classificada no X CLIPP - concurso literário de Presidente Prudente Ruth Campos, categoria poesia.

2016 - 3ª classificada na AFEMIL- Concurso Nacional de crônicas da Academia Feminina Mineira de Letras;

2012 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - 13ª classificada no TOP 35, na 4ª semana de abril de microconto Escambau;

2017 - Classificada no 7º Concurso de microconto de humor de Piracicaba.

2017 - 24ª classificada no TOP 35, na 2ª semana de outubro de microconto Escambau;

2017 - 15ª classificada no TOP 35, na 3ª semana de outubro de microconto Escambau;

2017 - 1ª classificada no concurso de Poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras;

2017 - 11ª classificada no TOP 35, na 4ª semana de outubro de microconto Escambau;

2018 - 24ª classificada no TOP 35, na 3ª semana de janeiro de microconto Escambau;

quarta-feira, 16 de maio de 2018

17 de maio, DIA INTERNACIONAL CONTRA A LGBTFOBIA



Poema, 1º classificado no Concurso Nacional de Poesia Osmair Zanardi, 2017.
Autoria- Rita de Cássia Zuim Lavoyer



PERMITA-SE


Hei, cara, permita-me ser, assim, do jeito que nasci. Sou por mim tão querido!
Queremos, eu e meus iguais, do mundo variegar o colorido.
Não julgamos nossas cores melhores que a sua, respeitamos-lhe a identidade.  
mas se juntar a sua às  nossas, elas ficarão ainda mais belas.
 Permita que nos velhos olhares despontem inspirações a uma nova aquarela.
Não busque impedir a biodiversidade, o conviver com suas peculiaridades!
Somos, eu e os ativistas da nossa causa, parte dela! Da natureza emanada!
Por que nos deseja extintos? Em que o nosso biotipo o desagrada?
  
 Hei, rapaz, permita-me, com meus recursos, viver como sou,
deixar à vista o que de diferente há em mim, em virtude do que  a vida  me doou,
 para que, com a minha diferença, eu possa dialogar pacificamente,  
- aprender com alegria que também tenho talentos imanentes:  
- fazer-me crer que  com ela conseguirei  apoios quando sentir tristezas,
- ser uma razão para que me respeitem com  as minhas verdades, 
e, com ela – a diferença- , redescobrir,  nas minhas entranhas, minhas fortalezas.
Temos o que somos, e estamos da justiça carentes. Não tente! Não nos afugente da sociedade.

 Hei, companheiro, permita-me caminhar entre os seus
para que eu possa viver  seguro  em companhia dos meus.
Não arme arapucas para nós, rompendo-nos o passo.
Não nos apedreje, não nos sangre, e do nosso sonho não subtraia o espaço.
Não nos difame, não nos agrida as emoções, ou o nosso sonhar.
não nos dilacere a alma, não se permita, por sua ferida, nos odiar.
Sou mais uma ave colorida com feição definida. Por isso não me calo.
Além de querer melhorar o que sou, descobri que consigo amá-lo.  

  Hei, colega, permita-me dizer aos “perfeitos”, que há tantos como eu, excluídos.
Mesmo sofrendo, respeitamos os que, por conceitos, não trazem olhares coloridos.
Feridos, renovamos nossa pluralidade. Somos pássaros que da Paz trazemos o manto.
Pela graça da vida, estamos incluídos nas diversidades para embelezá-las.
Não trazemos munições. Nossas nuanças não querem matar-lhes o canto!
Nas gaiolas dissimuladas, compostas por aversões, experimentamos os ferrões
e as navalhas dos que se dizem espadas, viris, valentes , mas... em suas valas,
nem suspeitam que se auto mutilam com seus sentimentos de rejeições.

 Hei, permita-me chamá-lo de você, de meu irmão, de meu amigo...
Converse comigo! Também sou do “gênero” humano. Sou todo zodíaco, não ariano.  
Por que foge, se camufla e volta com bando e em nós insufla sua violência?
O que dói no seu olhar, no seu pensamento, no seu corpo, na sua existência
quando vê  criação  como eu? Por que necessita agredir, com sua frieza,
 a nossa natureza? Incomoda-o não sermos formação  da mesma costela?
Nossas florestas são imensas. Por que deseja que a sua intolerância seja maior que elas?
Nelas cabem nossas cores e nossos cantos! Observe-as e aparemos nossas arestas!


Hei! Permita-me, com esse vôo que é tão meu, ser  do gênero que  eu quiser.
O meu vôo, não precisa imitá-lo! Sem resvalo, faça o seu como lhe apraz,
valorizando do seu voar o matiz. Evite em você a cólera e não se faça juiz:
 não nos acuse, não nos julgue, não nos condene por não gostar da cor do alheio arco-íris.
Sei que há diferenças entre nós e isso muito o perturba, lhe é mordaz! Nota-se!
Assemelhemo-nos em alguma causa: como eu, permita-se à felicidade. Seja sublime!
Que a arbitrariedade, por você, a nós imputada, não seja a razão do seu crime.
Não manche de sangue suas mãos por um preconceito que não nasceu com você.


 Rita de Cássia Zuim Lavoyer

segunda-feira, 14 de maio de 2018

MICROCONTOS




Palavra do dia:  lampião


Na sala da luxuosa casa, Lauhan Stivoloks esnoba os mais luxuosos enfeites comprados, clandestinamente, pelo mundo afora.
Destoava ali um lampião, que ela abominava, herança da avó do marido.
Ela o enrolou num jornal e o escondeu na despensa. Não sentiram falta dele e viveram felizes para sempre. 



Palavra do dia: cortina

Choroso, Junior escondia-se atrás da cortina da sala porque o chamavam de “o catarrento da casa”. Com o tempo, o tecido perdeu o molejo, não balançava mais com o vento. Investigaram aquela necrose têxtil. Indícios provaram que Júnior, além de catarrento, era o cagão que limpava a bunda na cortina.

Palavra do dia: rato

O gato pegou o rato que quase entrou na botina do homem. Saiu com sua presa na boca.
O homem vestiu a botina ralhando com o seu cão que rosnava pra ela.
Gritos assustaram o gato que deixou fugir a rato. O cão, vendo o homem com um escorpião pendurado no pé, latiu para o gato e brincou com o rato. 


Palavra do dia: chimarrão

Xinjon, estressado, viajou para a cidade que, conforme lhe disseram, ninguém amarra bode. Lá, trocou o quimono por bombacha e aprender a falar chê. Adorou comer churrasco. Agora, chupar na bomba do chimarrão, precisou arrumar um professor particular. Com ele, aprendeu até como amarrar um bode.

Palavra do dia: travesseiro

Disse aos filhos Mais Velho e Mais Novo que partiria para arrumar emprego. A esposa sonhou  que ele voltaria e lhes comprasse um colchão.
Só, Mais Novo, num pau de arara, fez dos sonhos da família travesseiro. Saiu dali para que a vida lhe desse um nome, sorte que o Mais Velho não experimentou.    



Palavra do dia: lamparina

- Senhora, este seu mal chama-se fogacho. Tome esses remédios que a queimação que sente no corpo todo diminuirá. Isto é coisa da idade, coisa de lamparina velha, entende?  Fosse nova, queimaria só onde deve.
Aproveitando sua queimação, pela primeira vez, Maria fez a orelha de um doutor pegar fogo. 


Palavra do dia : peito

Nice adora um galã de barriga pra dentro e peito pra fora.
Arrumou um.
Na 1ª boda, o que era de dentro mantinha-se, o que era de fora idem.
Na 2ª, fora e dentro igualou-se no perfil.
Na 3ª boda, viu que o peito dele estava pra dentro, a barriga pra fora e a cabeça careca. Aí, ela o amou pela 1ª vez. 



Palavra do dia: calculadora

Comprou no Paraguai calculadoras para revender. No ônibus, imaginava seus lucros.Trazia um brinquedo para o filho e um perfume para a patroa. Valeu a pena economizar durante o ano. Daria um Natal melhor à família. Na alfândega, as sacolas foram vasculhadas e sua compra ficou com a Receita Federal. 

Palavra do dia: garfo

Joãozinho, com um garfo, espera as Tanajuras na entrada do formigueiro.
Ele as espeta e se diverte vendo suas bundinhas  garranchadas entre um dente e outro.
Quando o garfo está cheio, ele as joga na frigideira com óleo tinindo. 
Ele adora comer aquelas formiginhas, tostadinhas, tomando K-Suco.




Palavra do dia: perfume

Julinha é a moça do lixão. Vive de reciclados.  Adora colecionar frascos de perfumes encontrados. Ela os lava, enche-os com água e banha-se com ela. Seus amigos dizem que sua presença aromatiza o ambiente de trabalho. Ela se alegra. Mas o que a faz feliz  – ela diz – é o cheiro do seu suor.





Palavra do dia: abóbora(s)

Sob a ponte, em uma lata, fervia o caldo das abóboras que Maria pegava no fim da feira, para aquecer o estômago de quem ali buscava abrigo. De repente, uma lei municipal pôs fim à feira. Sem as abóboras, Maria resolveu-se com as pedras. Torcia-lhes o coração e, delas, conseguia tirar caldinhos.  



Palavra do dia: saudade

O mestre disse aos alunos que lembrança, lágrima, amor, corpo, alma são lugares comuns e piegas que não abrigam mais a poesia como ela merece.
Indagaram:
- Como um poeta iniciante pode fugir desses estigmas.
Ele pensou, engoliu seco e disse: 
- Iniciem com saudade. É antiga e está sempre na moda.  




Palavra do dia: vagalume

Pirilampo, voaremos deste país, filho. Vendidas as hidrelétricas, logo lançarão “vale vagalume” para os brasileiros saírem do escuro. Seremos escravos. Vamos a Paris, cidade luz. Lá, nosso brilho será arte. Fundaremos sindicatos. Ricos, voltaremos para comprarmos as hidrelétricas que sobrarem. 



Palavra do dia: comida

Pseudônimo reclama que a comida da esposa não é igual da mãe dele. Cansada de ouvir desaforos, a esposa resolveu a questão. Todos os dias ela descongela um pedaço, prepara a comida e leva à sogra, que chora lendo a carta que o filho lhe deixou, dizendo que partiria para saborear a vida que merecia.


Palavra do dia: lençol

Sua vida na cidade grande era um tormento. Crescido, não tinha horário certo para suas refeições. Os carros, suas luzes, suas buzinas incomodavam-lhe o sono. Mas, sofrimento maior ele experimentava nas noites de chuva, quando as enxurradas esfarelavam seu lençol e sua coberta de jornais velhos.   


Palavra do dia: sandália

A moça trabalhava a contento dos seus chefes. Gostavam dela. Mas não possuía nada que a deixasse apresentável para que a promovessem como merecia. Presentearam-na com um par de sandálias menor que seus pés. Agradecida, calçou as mesmo assim. Mancava. Acharam melhor transferi-la para o almoxarifado.


  
Palavra do dia: pneu

Na falta de macaco hidráulico para trocar o pneu furado do seu fusquinha, Ricardo encaixou, como apoio, os livros que nunca leu. Vendo o carro amparado, entrou embaixo dele. Os livros, não sustentando a imbecilidade, encerraram ali uma história. Não se sabe qual destino deram ao pneu furado.   

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- E aí, fofa, quer dar um rolê comigo nesta máquina?
- Vê se te enxerga! Não sou garota pra montar em garupa de bicicreta!
- Ah, então nos leve na tua cacunda. Com esses pneus que você tem, eu me minha “bicicreta” vamos pra onde você nos levar.
Depois dessa, só os pneus dela ficaram intactos.  

Palavra do dia: pneu

Sonhava ter uma chuteira sola de pneu para jogar bola no campinho do bairro com os amigos. 
Sonhava ter os amigos.
Sonhava ir ao campinho.
Sonhava poder chutar.
Sonhava levantar-se da cadeira de rodas.

Palavra do dia: pneu

Pneus tala larga, farol de milha, buzina de berrante, banco de couro, som equipado, ar condicionado, lataria polida, tanque cheio, IPVA quitado e mais alguns quesitos acumulam-se nos sonhos do borracheiro que repara pneus furados pelos pregos que ele mesmo espalha pelas ruas.


Palavra do dia: cafeteira

A noiva o alertou que não levantará cedo para preparar-lhe o café da manhã. Exigiu uma cafeteira moderna e potente que lhe facilite o serviço. 
Sem café da manhã?
Cancelou o casamento. Trocou a noiva moderna e a cafeteira potente por uma cafetina tradicional com virtude para café, almoço e janta.  


quarta-feira, 11 de abril de 2018

A JARARACA CAIU DO CAVALO



A JARARACA CAIU DO CAVALO

Indiscutivelmente, há serpentes espalhadas por todo o território nacional. Muitas delas infiltram-se montadas em cavalos brancos, espargindo ilusões por onde passam.  
Cada qual com suas peculiaridades. Algumas, se não forem aprisionadas, ou espancadas na cabeça chegam a mais de 1,70 m. Muitas podem pesar 90 quilos, ultrapassando o incrível recorde de 70 anos ou mais.

Elas trazem uma característica que lhes permite a imagem térmica da sua presa, por isso o acúmulo, o furor e o calor humano explodindo à flor da pele lhes são agradáveis e úteis, razão de elas promoverem o separatismo, para se apoiarem entre os grupos apartados.

Elas se adaptam melhores ao solo, muitas são arborícolas. Mas muito se tem provado que as mais perigosas têm mais apetites e seus venenos tornam-se ainda mais letais quando alcançam as alturas. Assim, da mesma forma que podem viver nas matas de um sítio, podem ser encontradas também em todo tipo de edificação, palácio, inclusive em apartamentos praianos.

Quando encurraladas, procuram fugir, mas se sentirem ameaçadas não hesitam em investir contra seus pares, doa a quem doer.  As mais inofensivas possuem presas de onde inoculam seus venenos; outras possuem o poder da coerção e da propina.

 O que nos intriga é a crescente invasão, no território nacional,  da espécie de serpente mais maligna que até mesmo o próprio Criador não encontra solução para exterminá-la:  aquela que apóia no poder  o seu pedestal  e mantém o domínio  da caneta e da chave do cofre.  Por causa de sua gana entalada na garganta, algumas tropeçam nas palavras, imbrogliando o discurso, tal qual fazem com suas presas; outras trazem  suas  línguas presas e na falta de discursos verdadeiros afirmam sempre não saberem de nada, sobretudo  do próprio veneno.

Outras trazem tanta beleza na oratória que hipnotizam a primeira vista. Aos que se rendem aos seus encantos não encontram razões para saírem em defesa própria, permitindo-se uma lavagem cerebral para serem mais um na multidão, aumentando a massa dos que  desconhecem a  história do seu povo, tampouco do seu ídolo. 

Pelas suas versatilidades e destaques nas áreas em que atuam imperiosas,  são manchetes  internacionais, agraciadas com o título de Honoris Causas;  independente de qual lado estejam suas cabeças, ou seus rabos, todas são idolatradas por fãs cujas cegueiras e babações  ainda não desenvolveram  antídotos para  curá-los.

Por causa de suas dissimulações, de seus cinismos, algumas serpentes  têm conseguido  manipular os  poderes onde rastejam  suas conveniências, esparramando seus venenos, paralisando os órgãos  de funções vitais para o funcionamento e progresso de uma  nação em que teimam, com suas toxinas,  gangrenar. Então uma delas, a que ainda cavalga apoiada nas patas da sua arrogância e cospe sobre a justiça os seus despautérios; aquela que se julga mais honesta que Cristo, experimenta agora a Justiça que, tardia, chegou a galope e o derrubou do cavalo.

 Serpentes, entre elas a jararaca, por serem agressivas, adaptam-se muito bem ao ambiente modificado pelo homem. Onde quer que elas habitem estão sempre aptas a darem o bote, seja ele verde, amarelo, azul, branco ou vermelho, para cujas nuanças  solicito esclarecimentos  sobre o conceito de honestidade que cada uma, inclusive a jararaca,  traz no aparato de sua lábia.

Não nos esqueçamos de que não podemos matar jararacas,  ou qualquer outra serpente, pelo ato constituir crime ambiental. Que a elas seja dado o direito de viverem em seu habitat natural, todavia se apresentarem perigo à sociedade, que sejam, pela Justiça, enjauladas com outras feras de igual nocividade, onde sustentarão suas funções na cadeia alimentar.

 Rita de Cássia Zuim Lavoyer

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

SEJAM, PELO MENOS, NOSSOS LEITORES


Sejam, pelo menos, nossos leitores

Microconto – produção textual que vem ganhando admiradores – escritores e leitores - em todos os cantos do planeta.  

Sendo a Literatura um instrumento de expressão, a ela posso contar tudo o que sei sobre mim, sobre o outro sem nenhum compromisso com a verdade. Nela eu posso ser amor e ódio na mesma proporção. Ponho o que pior, ou melhor eu conheço de mim e do mundo que me cerca a cargo dos personagens e eles que se lasquem no enredo. Problemas outros ficam por conta do narrador. Eu apenas empresto meus dedos para funcionar o teclado. Qualquer desavença com a realidade que me possa prejudicar jogo nas costas do eu lírico: figura de escape que uso como álibi para safar-me da cena, no momento em que eu componho o crime induzida pelos meus sentimentos mais íntimos, seja no verso ou na prosa.     

Digo que escrever liberta nossos fantasmas disfarçados de deuses e de diabos. Importante é recriá-los sempre, afinal são temperos que dão sabores especiais às nossas vidas.  Frequento grupos virtuais que funcionam exclusivamente para postagem de microcontos. Logo escrevo todos os dias. Ganho tempo porque a passagem pelos grupos é rápida. Enriqueço-me com as leituras e deixo um pouco do meu trabalho aos que também passam e o leem. Microconto é uma arte literária que se concilia com o nosso tempo. Ele está em nossas mãos, na tela do nosso celular.

Aqui em Araçatuba temos, no facebook, o grupo microcontofatimaflorentino. Cada dia é indicada uma palavra e sobre ela o autor escreverá sua narrativa, que não deve ultrapassar 300 caracteres. Interessados em participar, visitem-no. Inscrevam-se. Alguns destes microcontos que posto foram classificados em concursos. Vejam se se identificam com esta produção.

Palavra do dia: lavatório - Seu falatório não convencia mais ninguém na recepção do pronto socorro. Teria que esperar sua vez para ser atendida. Não aguentando mais e, com a boca seca, arrastou-se até ao banheiro e banhou-se no lavatório. Agarrou-se nele e, perdidas as forças, sentiu seu filho escorrer-lhe entre as pernas.

Palavra do dia: fita - Sapatinho preto colegial, meia ¾, sainha plissada, camisa branca, marias-chiquinhas enfeitadas com fitas coloridas... Lá vai ele, todo serelepe, para vida noturna, disfarçado de normalista, para ensinar aos brutos, ao seu modo, que não se pode dar a um homem sugestões de como ele deve se vestir.

Palavra do dia: árvore - Romântico, Enzo sonhou uma liberdade utópica. Fugiu para a natureza. Com ela identificou-se. Fixou-se ali. Fez parte dela. Viu-se árvore. Debaixo dela fez o balanço da sua existência. Regresso, concluiu: há sonhos possíveis. Agora, lança sementes. Quer ser árvore e sombra para quem dele precisar.

Palavra do dia: governo - Em sufrágio ao frágil governo dos frascos e comprimidos, Né tomou uma dose relevante de medida provisória e sofreu um permanente ataque corruptível de memória. Por conta da sua ingestão, perdeu o domínio sobre o que sabe e o que não sabe. Em apoio ao Né, os governos aderiram ao laxante Tomarnócu.

Palavra do dia: bumbum - Quando o bebê nasceu, a parteira meteu-lhe o murro na cara. A mãe, berrando, disse que o esposo, político influente, acabaria com a raça dela. Velha sábia, disse que pelo bumbum se conhece o político. Filho de quem é, como o pai, acabará com muitas raças, por isso antecipou sua vingança.

Palavra do dia: chuveiro - Remo tem pouca idade para promover genocídios: nome que ele dá aos seus atos. Sabedor das leis que regem o homem, age confiante na impunidade do seu prazer. Abre o chuveiro para ter o som da água batendo no piso como álibi e geme para dar voz às suas vítimas, que caem em pé e descem pelo ralo.

Venham fazer parte do nosso grupo. Sejam, pelo menos, nossos leitores. Muito obrigada.

Por Rita Lavoyer







sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

MICROCONTOS


Palavra do dia: Forquilha

Era polidactilia. Seu polegar repartido ao meio rendeu-lhe, na escola,
 dolorosos apelidos: pé de porco, alicate, forquilha. No embornal, entre o caderno e a merenda, seu estilingue. Os moleques que o apelidavam nunca descobriram quem os deixou banguelo, cego, ou com profundas cicatrizes no rosto. 
 

Palavra do dia: PRATA

Tratava a farinha como prata da casa. Um dia experimentou o fubá
 enriquecido com ferro. Daí,  passou a ser o primeiro da fila da assistência social para receber sua cesta básica. 


Palavra do dia: CAVALHEIRO

De cavalheiro a cavaleiro e cavalo, foi pau para toda obra, nem as éguas resistiam.



Palavra do dia: CABANA

Nasceu e viveu com a mãe em taperas às margens das estradas. Teve o luxo de experimentar uma morada melhor, quando os companheiros de fuga armaram, com galhos e folhas de coqueiro, um esconderijo na mata e deram-lhe o nome de cabana.


Palavra do dia: abelha

As férias dos aposentados, na praia de nudismo, teriam sido excelentes se as abelhas não tivessem escolhido o mesmo destino para usufruírem as delas.



Palavra do dia: garçom

Gratificado por servir, o garçom entregou-se de bandeja à sua profissão.



Palavra do dia: turismo

Amava o fundinho quente dela sobre seu corpo. Isso, só quando o turismo melhorava na região. Antes, ficavam separados. Mas tudo terminou quando um turista distraído deixou-a cair, espatifando-a no chão, esparramando o café. Hoje, o pires chora aquela xícara de bundinha quente, que lhe dava tanto prazer. 

Vovó, em segredo, decidiu aproveitar a vida. Investiria em turismo. Começou pela navegação. Tomou gosto por águas promíscuas. Com as vacinas atrasadas, sem dó, infectou o notebook do neto, que foi acusado, no universo virtual, de crimes sexuais, afundando o barco do garoto.
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Palavra do dia: aposta


Não entendiam, por serem rivais de guerra, por que dividiam a mesma cama de campanha. Fizeram aposta. Ao ganhador a cama. Na pareia, deu empate. Só de ódio, travaram a própria guerra e amaram-se no chão.

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Palavra do dia: ORELHA


Julião é o mais famoso amansador de burro bravo do sertão. Quando pula no lombo de um, agarra-se às orelhas dele, põe o bicho no chão e nele pratica a sua arte. Não tem cabra da peste que negue seu talento e não peça para ser amansado de novo. Por causa do Julião, já tem cabritas de orelhas em pé.



Palavra do dia: FILÓSOFO

Adepto à filosofia “quem não choram, não mamam”, tornou-se o filósofo 
que, de tanto que chorou, foi o que mais mamou. Tornou-se uma bola empachada e enjoou da própria filosofada. Refletiu! Lançou campanha:
 Exercite sua mente! Seja atrativo! Engorde suas ideias, leia um bom livro!               


Palavra do dia: MACARRÃO


Depois que o doutor lhe explicou, mostrando as imagens e as razões pelas
 quais ele tem que ser higiênico e sempre tomar vermífugo, Juquinha nunca mais conseguiu comer macarrão. Mas, quando um espaguete sai pelo seu
 nariz, sua mãe lhe diz que é refluxo. Ela o puxa, joga na privada e dá
 descarga.


Palavra do dia: MACARRÃO

Negão zoa o amigo Alvinho. Chama-o de rato albino, queijo coalho e outros adjetivos que destacam sua cor. Negão casou-se com a loira, tipo parmesão meia cura. Nela, Alvinho aquece seu macarrão duro e seco. Ele sai mole, com molho e coberto de queijo ralado, depois chama o amigo para tomarem vinho.


Palavra do dia: Cerco

Não haveria cerco melhor para eliminar os problemas que o afligiam.
 Como um extremista, circundou-se de soluções e acionou os explosivos.



Palavra do dia: FAROL

Dois ovos fritos sobre o prato de farinha eram faróis que davam luz ao céu escuro da família, que dependia das migalhas que os filhos ganhavam nas sinaleiras da vida. 



Palavra do dia: TETO


Quando pisa o chão, zonzo, desequilibra-se e bate com a cabeça.– Labirintite infeliz – ele reclama. Ele pede socorro, sua família lhe traz um copo de sangue e, restabelecido, o morcego vampiro volta a equilibrar-se no teto da sua morada.


Palavra do dia: paródia

Abra o seu coração pra paródia que você vai ler: Eu ando só de buzão, que roda super lotado, ultrapassando sinais da lei. Tarados se esfregam, deixam marcas na mulherada, sem pena, fogem em disparada. O buzão não é vontade minha, tenho sorte de chegar viva, marcada como boiada, no final da linha. 

Entendo a arte como forma de libertação, Ralf fez paródias sobre sua existência. Nos palcos da vida, foi ator principal das tragédias que escreveram para ele. No stand-up, o mais aplaudido pelo que escreveu de si mesmo. 


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Palavra do dia: Bumbum

Quando o bebê nasceu, a parteira meteu-lhe o murro na cara. A mãe, berrando, disse que o esposo, político influente, acabaria com a raça dela. Velha sábia, disse que pelo bumbum se conhece o político. Filho de quem é, como o pai, acabará com muitas raças, por isso antecipou sua vingança.



Palavra do dia: TERRAÇO

No terraço do sobrado que comprou, sonha para o filho uma casa na árvore, como nos filmes que assisti. Fã do Tarzã, quis uma Jane para realizar o sonho. Ela, fã das alturas, exigiu cobertura em Dubai. Ele, sem filho e sem sobrado com terraço, pula de cipó em cipó para conseguir pagar as contas. 



Palavra do dia: CHUVEIRO


Remo tem pouca idade para promover genocídios: nome que ele dá aos seus atos. Sabedor das leis que regem o homem, age confiante na impunidade do seu prazer. Abre o chuveiro para ter o som da água batendo no piso como álibi e geme para dar voz às suas vítimas, que caem em pé e descem pelo ralo.


terça-feira, 23 de janeiro de 2018

SER LUZIA - UMA BENFEITORA

Ser Luzia. Uma benfeitora

            “ Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina” –Cora Coralina

Agradeço o Jornal Folha da Região, pela oportunidade do espaço, para homenagear uma amiga. Alguém pode discordar do que apresento, mas se o faço, é porque os pontos positivos da homenageada superaram seus defeitos, e não me interesso saber quais são, e se os tem, como todos nós, não prejudicam quem convive com ela. Por isso, como tantos anônimos benfeitores, ela merece a graça do reconhecimento. 
                                                       
Ela não entrou na minha vida por acaso e tornou-se importante para mim no sentido de registrar-se em um determinado período da minha existência que o tempo não é capaz de apagar. Abraçou comigo as minhas causas, pegou-me as mãos e não fraquejou em seus passos, ajudando-me com materiais e pesquisas que contribuíram nas conclusões dos meus trabalhos: sonhos que eu queria realizados.  
Há folhas que nascem, desenvolvem, cada qual respeitando o seu ciclo; enfeitam as árvores, fortalecendo-as para suportarem o parto dos frutos, até o tempo de um vento forte levá-las para juntarem-se ao outro grupo, o de adubação. Ali, no amontoado de tantas outras folhas levadas pelos ventos, serão alimentos para matar a fome da terra. Todos, como as folhas, exercemos funções importantes no meio em que vivemos. Ela é assim, o conjunto desse ciclo, por isso sua importante na vida de muitas pessoas.
Eu a conheci quando lecionamos em uma escola estadual. Espelhava-me nela, nas aulas dela, nos trabalhos que ela desenvolvia. Eu era iniciante no magistério; ela, experiente. Como os rios confiam-se ao mar, eu confiei na Luzia e ela ajudou-me pelo prazer de ser útil.  Acompanhei  um longo e difícil período da vida dessa mulher, filha, irmã e, principalmente, mãe!
Igualávamos nas nossas dificuldades de toda ordem, inclusive a financeira. Sem carro, corríamos juntas de uma escola a outra.  Com filha ainda pequena, confiando à mãe, dona Áurea, o cuidado da sua proteção para lecionar.
Vi a Luzia, no trabalho, por sua estirpe, engolir petulâncias a seco, sem revidar e também a assisti ensinando que a natureza de cada ser precisa ser lapidada para alcançar o processo normal de evolução. Assim escreveu a sua história, com muito respeito e honra à profissão que ela tão bem sabe exercer. Com isso proveu o sustento da família, pois foi  pai e mãe da sua filha. Não enriqueceu. Hoje, com a filha criada, vive uma situação mais remediada que outrora.
Conhecendo sua história e os fardos que carregou para chegar digna até aqui, e ler essas simples linhas que lhas ofereço, quero que muitas pessoas, que não a conhecem, saibam quão boa e generosa é Luzia Machado. Tenho o dever de apresentá-la como os meus olhos e o meu coração a veem, porque ela só registrou passagens boas em mim. 
Luzia, como tantas Luzias, ultrapassou o limite da sua era. Venceu e vence obstáculos. Mulher de raça, que eu sei que ela é, vencerá outros tantos. Centrada, cristã fervorosa, fã de Literatura e admiradora de Cora Coralina, ela é uma das que transfere o que sabe e aprende o que ensina.
Honra-me fazer parte do círculo de amigos que ela convidou para repartir a sua trajetória.  
            Na minha, da sua família e na dos seus amigos, você, Luzia Machado, não será apenas folha passada, levada pelo tempo. Você é história porque é benfeitora.  
            Minha gratidão a essa amiga que me chama a atenção, me corrige e, comigo, está sempre aceitando novos desafios.
             E você? Tem um algum benfeitor que deseja homenagear? Por  que não fez isso ainda?
  



Rita de Cássia Zuim Lavoyer